A decisão de sair da cidade para morar no campo

Uma vida de mamãe no campo

por Cláudia Sayuri
Sei que existem muitas mamães que nasceram no campo, eu me tornei uma por opção e por todos os fatores que conspiraram à favor.
Nasci e cresci em São Paulo, Capital. Mas tenho a impressão de que, desde de muito nova, a vontade de viver no interior gritava dentro de mim. Passei a infância no Butantã, bairro tranquilo de SP, que na época era bem pacato. Tanto que tinha gente que colocava vacas para pastar em alguns terrenos desocupados do bairro. Chegava da escola e lá ia eu atrás da criançada que “tocava” as vacas.
Claro que, assim que veio a adolescência, a vontade de explorar novos ares falou mais alto e passei a frequentar a Vila Madalena, Pinheiros e Jardins. Estudei em Pinheiros e tinha muitos amigos na região, mas não deixava de frequentar as festinhas no interior também.
Comecei a trabalhar com 15 anos, um estágio na Caixa Econômica Federal, e desde então não parei mais. Trabalhei em Shopping, em escritório de representação, fui secretária, instrutora de patinação (não necessariamente nesta ordem…rsrs), mas queria mesmo era ser veterinária! Não passei no vestibular, só prestei USP e UNESP, mas acabei passando no concurso público da Sabesp, onde trabalhei por dez anos. Acreditem, só passei porque não estudei e minha mãe insistiu muito para que eu prestasse, não queria realmente entrar lá. Acabei cursando Publicidade e Propaganda, nunca trabalhei efetivamente na área, só pequenos trabalhos dentro da própria Sabesp.
Quando conheci o meu marido, falávamos que um dia iríamos embora de SP.  Namoramos, casamos, e fomos morar em São Caetano do Sul. A vontade de sair do caos da cidade foi ficando cada vez mais forte e ele resolveu administrar um negócio que a família já tinha no interior. Foram sete meses na estrada! Ele no interior e eu em SP.. Até que saiu a minha tão esperada transferência.
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Até este momento, juro, a maternidade não era sonho, muito menos objetivo. Realmente tinha medo de colocar um filho neste mundo louco em que vivemos. Fui assaltada cinco vezes, com arma apontada para mim. Até hoje vou a SP visitar a família com a pulga atrás da orelha e os olhos mega atentos, ainda mais agora, com o João Pedro.
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Continuei na Sabesp numa cidadezinha chamada Agudos, que fica próxima à Bauru, por dois anos. Após muitas contas e análises, eu e o marido, chegamos à conclusão que era muito mais vantajoso trabalharmos juntos, já que eu viajavam 200 km por dia (mesmo com a transferência). Após um ano sem trabalhar FORA, resolvemos (ou eu resolvi) que, se fosse para ter um filho, teria que engravidar antes dos 35. Parei com o anticoncepcional em Janeiro e engravidei em Abril, aos 35 anos.
Confesso, tive medo, muito medo. Medo de não dar conta, do parto, da responsabilidade… Ao mesmo tempo, tudo era tão mágico, lindo e de um amor que crescia assim como minha barriga! Quanto o João Pedro nasceu foi um misto de alegria, amor, medo e insegurança. Quando ouvia das pessoas “vai melhorar” pensava, “Será?”, e só após algum tempo vi que, não é que melhora, é que aprendemos a lhe dar com as situações que antes eram assustadoras. Aprendemos juntos, rimos, choramos. Vibramos a cada nova conquista. E esse amor tão puro só aumenta, a cada olhar, cada gesto, cada brincadeira…
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O que ainda me tranquiliza em relação ao mundo doido em que vivemos é o fato, podendo dizer vantagem, de poder criar um filho em um lugar mais tranquilo, que ainda não tem toda aquela violência que se vê na TV em todas as esquinas da cidade. Onde meu filho pode ter espaço para brincar, sem grades e muros. Onde podemos sentar na pracinha para tomar um sorvete no fim da tarde sem entrar em paranóia quando um carro diferente se aproxima. Poder levar o pequeno pra brincar na casa do amiguinho e ficar de papo na calçada… Colher verduras e legumes na nossa horta e mostrar a ele que o leite não vem da caixinha e sim da vaquinha. Ensiná-lo a cuidar dos bichinhos que moram aqui, alimentar os passarinhos e admirar a natureza. Claro que penso em toda a estrutura que uma cidade grande oferece como escolas, hospitais, shoppings… Mas falo… No meu entender, e no modo de vida que escolhemos, isso não é o mais importante, não neste momento…
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Sei que um dia ele terá que ver o mundo… Isso também me assusta. Só espero que esteja preparado, e a mamãe aqui também, para encarar essa grandiosa e enriquecedora fase.
Claudia Sayuri
Instagram @mamaenocampo

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