Autoconfiança X Superproteção

Os prejuízos da superproteção para a autoconfiança da criança

Por

Carolina Faria Arantes

CRP 34041/04

Mestre em Psicologia da Saúde – Processos Cognitivos / UFU

Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental / UFU

Pesquisadora na área da Prevenção e Tratamento de crianças, adolescentes e orientação de pais.

Psicoterapeuta, professora e supervisora no Instituto Integrare – Uberlândia/MG

Contato: carolfariaarantes@gmail.com ou carolina@integraretcc.com.br

Site: www.psicologauberlandia.com

Página Facebook: Psicóloga Carolina Arantes

Instagram: @psico.carolina.arantes

            No último texto que escrevi para a nossa coluna, falei um pouco sobre como desenvolver a autoestima da criança. Hoje vou escrever para vocês sobre um tema tão importante quanto o da última semana, que é a autoconfiança. Assim como déficits na autoestima, também é muito comum receber no consultório pacientes com autoconfiança prejudicada, o que tem consequências sérias para a vida do indivíduo. A autoconfiança é o sentimento que o indivíduo tem com relação a sua capacidade de desempenhar tarefas. Uma pessoa segura e confiante é aquela que se vê como capaz de realizar com sucesso suas funções e desafios cotidianos. Mas porque algumas pessoas são confiantes e outras não?

            A autoconfiança do indivíduo é desenvolvida na infância e isso acontece a partir de experiências que, por si só, geram bons resultados. Isto é, ela não depende necessariamente do elogio dos pais ou de outras pessoas, mas principalmente do resultado obtido a partir do próprio comportamento. Para que uma criança desenvolva a autoconfiança, é necessário que ela tenha a oportunidade de se comportar de determinada maneira, a qual resultará em bons resultados. Então, se seu filho tenta pegar um copo no armário e consegue alcançá-lo, ele se sentirá capaz de alcançar esse tipo de objetivo. Dessa forma, a tendência é que ele continue tentando realizar tarefas desafiadoras, uma vez que ele teve a experiência de tentar e conseguir.

            E o que os pais podem fazer para promover o sentimento de confiança e segurança de seu filho?

O papel dos pais é criar as condições necessárias para que seus filhos possam emitir os comportamentos que irão gerar bons resultados. E é aqui que entra o problema da superproteção! Os pais superprotetores têm boa intenção. Como o próprio nome diz, seu intuito é proteger o filho de algum mal, seja de um risco que ameace sua integridade física (como cair, bater a cabeça, quebrar um membro) ou de qualquer coisa que possa lhe fazer sofrer (como a frustração, a tristeza, o medo). Para isso, eles impedem a criança de se envolver em uma série de situações que poderiam ser gratificantes para ela, uma vez que se tratam de oportunidades de emitir um comportamento e ter uma conquista como resultado.

Restringir as atividades do filho e fazer tudo por eles é reduzir o seu número de oportunidades para desenvolver habilidades, o que provavelmente irá gerar sentimentos de insegurança e medo, caracterizando a falta de autoconfiança. Além disso, quando os pais fazem tudo pelo filho e com o filho, ocorre um apego exagerado entre eles e a separação entre os pais e o filho, mesmo que seja por um curto período de tempo, se torna muito negativa para a criança.

Abaixo, alguns exemplos de situações que os pais podem proporcionar para seus filhos que favorecem o desenvolvimento da autoconfiança:

  • O filho está com vontade de tomar suco de laranja. A mãe/pai tem duas opções:
  1. Fazer o suco para o garoto e entregar em suas mãos, com o tanto de açúcar exato, do jeito que ele gosta.
  2. Fazer o suco com o garoto, ensinando-o como se faz e deixando-o colocar açúcar, um pouco de cada vez, até ficar do jeito que ele gosta.
  • A mãe vai à padaria comprar lanche para o café da tarde. Ela pode:
  1. Deixar o filho no carro enquanto compra tudo sozinha;
  2. Ensinar o filho a colaborar com esta tarefa, o instruindo o que ele deve fazer: “Filho, desça e compre pão, leite e um docinho para você, enquanto estaciono o carro”.

Esses são exemplos de situações cotidianas, onde a criança não corre nenhum perigo e onde pode desenvolver habilidades importantes, que irão colaborar para o desenvolvimento e fortalecimento da sua autoconfiança.

 

Mas se é papel dos pais proteger os filhos, como eles devem agir?

            Ser pai e mãe realmente não é uma tarefa fácil. É responsabilidade dos pais proteger suas crianças, mas também é sua responsabilidade proporcionar as condições necessárias para que elas desenvolvam suas habilidades.

            Como disse anteriormente, a autoconfiança é gerada a partir de comportamentos que obtiveram êxito. Portanto, é essencial que os pais saibam avaliar o tipo de tarefa que o filho tem condições de realizar, pois, caso ele não obtenha sucesso em sua tentativa, isso dificultará uma tentativa futura. Além disso, os pais precisam cuidar para que a criança não seja exposta a algum tipo de perigo (Impedir acidentes é impossível. O máximo que se pode fazer é tentar evitar).

            É importante que os pais se atentem para as dificuldades que determinada tarefa possui e analise se a criança tem habilidade suficiente para realiza-la. Os pais devem adequar as dificuldades da tarefa às habilidades da criança para que os filhos não se sintam sozinhos e desprotegidos e nem incapazes e inseguros.

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