Culpa que sentimos em relação ao filho mais velho

E sobre culpa que sentimos em relação ao filho mais velho?

Ah, a culpa tão presente no mundo materno. Ela passa? Não, não passa. Mas aprendemos a lidar com ela. Aprendemos a respeitar e aceitá-la.
Quando a Isabela nasceu, senti um turbilhão de sentimentos. É claro que me senti muito feliz com o nascimento da tão esperada caçula. Emoção a flor da pele.
Mas e o outro lado? Esse eu procurei tanto nas blogosferas maternas! Queria tanto saber como que as mães fazem com essa culpa, e se era só eu que a sentia. Mas eu só via lindas cenas do filho mais velho beijando o filho mais novo. E a mãe com aquele sorriso plácido no rosto! Tudo parecia se encaixar tão bem. Alguma ou outra citação, mas nada muito profundo. O que me levou a crer, na época, que eu era muito fraca!

Comigo não foi bem assim… Eu chorei muito! Ficava tanto tempo com a Isabela, não tinha tempo e sentia muita saudade da Valentina. Ela estava perto, mas longe de mim. Ela, sempre tão enérgica, foi bombardeada com muitos avisos de “cuidado”, “devagar”, “fala baixinho”, “pxiiuuuu”!! A culpa apertava meu peito.
No meu mundo dos sonhos gravídicos, pensei, quando a Valentina chegar da escola eu vou me dedicar exclusivamente a ela. Mas é impossível! Muitas fraldas, peito e atenção que muitas vezes só uma mãe pode (e deve) dar a um recém nascido.

Veja bem, antes da Isabela nascer, era eu quem alimentava, dava banho e fazia a Valentina dormir em quase todas as vezes. Além do que, sentar no tapete para brincar com ela sempre foi uma terapia pra mim.
Pensei, e se eu a tirar da escola? Não… Não seria justo com ela. Ela gosta tanto da escola, lá pode falar a altura que quiser, pode continuar com suas cantorias sem ser interrompida. Atenção e colegas para brincar. Não tinha solução, vai passar, vai passar, eu repetia como um mantra.

Me organizava de todas as formas para recebê-la quando ela chegasse da escola. Certa vez, Isabela estava com menos de um mês, fui tirá-la do carro ela não quis vir no meu colo. Simplesmente se recusou a ser eu quem a tiraria da cadeirinha. Meu peito se abriu, pensei ter perdido o afeto da minha menininha que até então jamais tinha recusado meus braços. Ah, mas eu chorei tanto. Mil pensamentos vieram à minha mente. Fui acalmada pelo meu marido, e claro, por ela também. Ela não entendia o porquê de tanto choro. Nem eu saberia explicar aquela enxurrada de lágrimas. Me senti culpada por chorar na frente dela! Não há medidas para a culpa minha gente!

Eu sei que muitas mães de segunda viagem podem aparecer aqui nesse post procurando uma resposta para esse momento. E eu vou ser bem sincera com você, não há.
Mas essa dor no peito, pode ser amenizada. Lembre-se que você se dedicou exclusivamente para aquela criança quando ela era bebê, você deu o seu melhor, e o melhor do seu coração. Você deu um presente maravilhoso, um irmão é algo que só você poderia dar. Esse bebê vai ser bebê por tão pouco tempo! Hoje, a Isabela com quatro meses, posso afirmar que melhora muito. Já sento com ela no tapete e penso que assim que ela começar a sentar será ainda mais fácil.

Acredite, você vai encontrar um equilíbrio e o primogênito também vai crescer nesse processo. Crescer é bom! Deixar o pai participar mais ativamente é saudável e extremamente necessário nessa fase.

Tente estabelecer um tempo de qualidade com o mais velho, mas lembre-se também que você é humana e precisa dormir! Não adianta ficar acordada de mau humor. Às vezes o corpo pede uma cama, não tem jeito! Mas não deixe de admirar a beleza que é a chegada de um recém nascido. A vida, você, seu filho e toda a família estão renascendo. Não queira apressar o tempo! Ele vai passar muito mais rápido do que você imagina. E quando você se der conta, não tem mais um recém nascido em casa! E principalmente, não se sinta culpada em sentir culpa!

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