E agora que meu filho cresceu?

Nós e nossos filhos

Cortei, lixei as unhas e fiz florzinhas em suas pequenas unhas. Ela fica feliz, mostrando para todos suas unhas de “mocinha”. Esses pezinhos um tanto quanto encardidos e que estão sempre descalços já foram duas fofas bisnaguinhas. Esses pezinhos que hoje não se parecem nada com pezinhos de bebê, deram seus primeiros passos bem na minha frente. E hoje vejo que aqueles passos corajosos e precoces me mostraram um pouco do que ela seria. Altiva, inquieta, Valentina tem todas as características de uma líder. O que muita gente não diz, é que todo líder tem em si uma grande dose de prepotência.

E é assim com todas as crianças, todas possuem pontos a serem trabalhados. Quando a criança ultrapassa os dois anos já podemos ver com clareza muitos aspectos de sua personalidade. Mas não queremos ver. Queremos continuar vendo só um bebê que faz gracinhas e não nos contraria. Aquela visão daquela criança que muitas vezes se parece com um adulto choca muito com nossa lembrança ainda tão real de um bebê. E tudo fica mais complicado quando vemos muito de nós nas reações de nossos filhos e não sabemos o que fazer. Não sabemos como reagir também quando percebemos que eles não se parecem conosco e tem outros modos de se comportar.

Nossos filhos conseguem trazer o melhor de nós a tona, mas também aponta nossas deficiências. Eles conseguem revelar segredos que nem mesmo nós sabíamos que existiam. Conseguem trazer o passado para o presente e até nossas relações mal resolvidas com nossos pais e nossa infância.
É por isso que o terrible two é uma fase tão complicada. Ela não é apenas caótica para as crianças, mas é também para os pais que começam a enveredar pela difícil tarefa de educar um indivíduo. Cá entre nós, é fácil gostar de um bebê. Ele não te responde, não te desafia, dá risadas gostosas e tem uma pele feita para ser apertada. Veja bem, usei o termo gostar, porque amar amamos os nossos filhos todos os minutos de um dia. Gostar é diferente, gostar é difícil. Gostar está relacionado também com a nossa capacidade de empatia e de respeitar o que é diferente de nós.

Em geral os pais são surpreendidos com essas mudanças porque não querem pensar que seus filhos crescem, pensar nisso é pensar no seu próprio envelhecimento. Mas o fato é que quando um casal está grávido, não faz parte do seu imaginário uma criança ou um adolescente, somente bebês risonhos e fofinhos.

Nessa nova dinâmica entre pais e filhos uma nova relação precisa sempre ser construída. Isso acontece na primeira infância, na adolescência e também na fase adulta. Não temos o mesmo filho sempre, eles mudam não apenas o semblante mas também suas habilidades motoras, cognitivas e emocionais. É nosso dever aprender a lidar com essas mudanças. Mas principalmente, é primordial aprendermos a lidar com o modo que essas mudanças nos afetam. Como? Tarefa difícil de ser respondida e cada pai deve procurar sua resposta, mas o primeiro passo é parar de deslocar todas as razões dos conflitos para nossos filhos e assumir nossa responsabilidade perante esse relacionamento.

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