Essa não sou eu: sobre a privação de sono

Essa não sou eu: privação de sono

Dia desses eu dormi quatro horas seguidas, meu marido me deixou dormir enquanto ficou com as meninas à tardezinha. Dormi sem interrupção, o tanto que meu corpo necessitava naquele dia, sabe? Nenhum despertador (objeto ou humano) interrompeu meu sono. Quando eu abri os olhos e olhei para o espelho, mal pude acreditar naquela figura descansada, sem olheiras e com os olhos claros! Não estava com maquiagem e nem pingado colírio nos olhos. Tudo parecida mais colorido, e eu senti que minha paciência estava muito próxima a de um Buda. Eu poderia meditar naquele momento! Foi aí que eu tive um insight: essa sou eu quando não estou com sono. Brinquei com a Valentina e ela pareceu muito mais maleável e dócil. Provavelmente ela estava como sempre esteve, eu é que estava diferente.

Não é novidade que eu me sinto um fracasso (nesse quesito) como mãe porque minhas filhas não dormem. Olho para o lado e parece que todas as crianças dormem, menos as minhas. Quando era só a Valentina, eu entendia que era da personalidade dela, mas como a Isabela também não dorme tudo me leva a crer que eu faço tudo muito errado. Tenho algumas ideias sobre o motivo, mas não vejo como mudar. Não consigo estabelecer uma rotina com duas crianças, muitas vezes na hora de dormir estou sozinha com as duas e a hora de dormir sai do jeito que dá certo. Esse jeito não é o mesmo todos os dias! Acontece também, que mesmo quando elas dormem bem, e meu corpo já se adaptou a acordar durante à noite e muitas vezes tenho insônia.

Pela manhã eu já acordo com sono! Já faz um bom tempo que não acordo descansada. Tomo um gole de café, que é pra dar uma animada. Lavo o rosto, passo um batom, que pra animar por fora também. Sorrio para o espelho, que é para não deixar o mau humor me pegar tão cedo. Há um ano atrás, eu ficava “pescando” durante o dia. Agora não, levo numa boa a parte do sono nos olhos, mas o sono na cabeça não passa, entende? Não sei bem como explicar isso, mas meus olhos não ardem e eu dificilmente conseguiria dormir agora por exemplo (mesmo estando com sono), mas minha cabeça fica com sono constantemente. Eu não consigo me concentrar como antes, eu não leio com tanta facilidade e escrever já não é tão simples como sempre foi. E o principal, minha paciência está reduzida e isso me incomoda muito. Me incomoda demais perder a paciência com a Valentina por coisas que eu sei que em outro momento eu não perderia.

Quando passa das 19hrs eu já estou extremamente cansada. Preciso de silêncio e é nessa momento que eu sinto o meu estopim reduzido. Já tem algumas noites que a hora de fazer as meninas dormirem tem sido um tumulto! Perco a paciência com a relutância da Valentina em dormir, ela chora e provavelmente por isso dorme mal. E quando ela dorme, toda a sua agitação também faz a Isabela perder o sono. Resultado, quando a Valentina dorme, a Isabela perde o sono. Eu me sinto péssima por perder a paciência com a Valentina… é como se eu soubesse que uma batalha se iniciará e ainda assim eu perco. Como posso eu, uma mulher adulta, perder uma queda de braço com uma menina de 3 anos? O fato de ser psicóloga faz eu me sentir ainda pior.

Acredito que as pessoas possuem resistência à privação de sono de forma diferente, isso é muito particular. Alguns aguentam muito, outros nem tanto. Posso dizer que a minha resistência é bem alta, mas sinto que ela já se esgotou. Estou chegando no meu limite! Ou posso ter chegado nele, mas não me dei conta disso. A verdade é que eu não me reconheço em alguns gestos, crises de ciúmes, gritos, respostas ríspidas e outros comportamentos que abomino nos outros. Parece que essa não sou eu!

Algumas pessoas não sabem, mas a privação de sono é coisa séria, altera todo o nosso organismo, não é só o humor que fica alterado. Existem estudos sobre obesidade, distúrbios psíquicos, diminuição da libido, saúde da pele e ainda problemas graves de saúde como diabetes e doenças cardíacas.

Algumas da técnicas de interrogatório da CIA são realizadas utilizando a privação de sono, as consequências são assustadoras, veja o que diz a página Motherboard:

Após ficarem acordados a noite inteira, os objetos do estudo ficaram mais sensíveis à luz e à cores; apresentaram déficit de atenção, distorção da noção de tempo, dificuldade de reconhecer odores e até mesmo alterações visuais. De acordo com a síntese do estudo, “muitos daqueles que passaram a noite em claro tiveram a impressão de poder ler pensamentos, e notaram uma percepção corporal alterada” — mais uma vez, tudo isso ocorreu em apenas 24h de privação de sono.

Eu ainda não sei qual caminho devo tomar, mas sei que alguma coisa deve ser feita. Esse inclusive é um dos motivos que decidi não ter mais filho, sinto que meu corpo também não aguenta. Sei que assim não posso ficar, mas estou um pouco perdida. Está fora de cogitação técnicas que deixam o bebê chorar, mas durante esse próximo feriado vou tentar organizar melhor a rotina e pensar em uma solução para esse dilema materno. Alguém também passa por isso, ou já passou e tem uma história de sucesso para me animar? Estou super precisando ouvir histórias de sucesso.

One thought on “Essa não sou eu: sobre a privação de sono

  1. HINGRET

    Olá! Me identifico muito com essa situação. Meu baby de 10 meses nunca… eu disse NUNCA, dormiu a noite toda :(
    Acordo às 5:30 para trabalhar e durmo no máximo 3hs seguidas… durmo em média 5hs por noite e isso me deixa muito mal.
    Fico com inveja das mães de babys que dormem a noite inteira, não sei o que é isso rsrsr
    Bom, não penso em ter outro filho, pois acho que meu corpo e minha mente não possuem estrutura para tal. Amo meu filhotinho e sou muito feliz em tê-lo, mas dizer que a maternidade é fácil, não é não.
    Bjus!

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