Exames solicitados durante a gestação

Exames que devem ser realizados no pré-natal

A realização do pré-natal é imprescindível para todas as gestantes. Os exames realizados durante o mesmo são necessários não somente para detectar anomalias, como também para prevenir um parto prematuro e preservar a vida da gestante e do bebê. Assim que a mulher descobre a gestação é necessário que ela procure um ginecologista obstétrico para iniciar o pré-natal. Ressalto ainda, que independente do médico que ela optar, é fundamental que ela também saiba os exames que ela deve realizar. Esse comportamento contribui para que ela se “empodere” e perceba que ela é a parte ativa daquela situação, ela inclusive deve ter voz para solicitar algum exame que ela ache necessário. As consultas a princípio são realizadas mensalmente, mas a medida que o parto se aproxima elas devem ficar menos espaçadas.

1º Trimestre

Quando a gestante vá ao ginecologista obstétrico pela primeira vez, é interessante ela levar suas perguntas anotadas em um papel, já que fatalmente ela esquecerá alguma se deixar para lembrar na hora. Não tenha receio de fazer nenhuma pergunta, não saia do consultório com nenhuma dúvida. Pergunte, fale, aquele é o momento de você conhecer aquele profissional que passará muitos meses com você, perceba inclusive se ele evita falar do parto. Esse pode ser um indício que talvez ele não realize o parto que você deseja.

Na primeira consulta, o ginecologista costuma avaliar as mamas e a vagina também. Ele entregará um cartão (cartão da gestante) que deverá ser preenchido em todas as consultas com as medidas e resultados de exames. Em todas as consultas o ginecologista deve pesar a gestante, medir sua pressão, e normalmente começa a medir a altura uterina e escutar as batimentos do bebê à partir do segundo trimestre.

Exames solicitados:

  • Hemograma – Principalmente para o diagnóstico de anemia, entre outras coisas.
  • VDRL – Para pesquisa sífilis. Caso o resultado seja negativo, o exame deve ser respeitado a cada três meses.
  • Pesquisa de rúbeola e toxoplasmose – Geralmente é pedido o teste de Elisa.
  • HIV – Serve para identificar o vírus HIV que provoca a AIDS. Se a mãe for devidamente tratada, as chances do bebê se contaminar são baixas.
  • Citomegalovírus ou CMVDiagnostica a infecção pelo citomegalovírus, que quando não é devidamente tratada pode causar restrição de crescimento, microcefalia, icterícia ou surdez congênita no bebê.
  • Hepatite B e C – Serve para diagnosticar as hepatites B e C. Se a mãe receber o devido tratamento, evita que o bebê seja contaminado com estes vírus.
  • Tireóide – Serve para avaliar o funcionamento da tireoide, os níveis de TSH, T3 e T4, pois o hipertireoidismo pode levar ao aborto espontâneo.
  • Toxoplasmose – Serve para verificar se a mãe já teve contato com o protozoário Toxoplasma gondi, o qual pode causar malformação no bebê. Caso não seja imune, ela deverá receber orientações para evitar a contaminação.
  • Urina rotina e Urocultura – Pesquisa de infecção urinária e perda de proteína na urina.
  • Fezes – para verificar a presença de verminose.
  • Glicemia de Jejum / Glicemia pós- dextrosol – para medir o nível de açúcar no sangue.
  • Grupo Sanguineo e Fator RH – para saber o tipo de sangue.
  • Papanicolau ou Preventivo – para analisar o colo do útero.
  •  Ultra-som –  No início do pré-natal é importante um exame ultrassom porque ele avalia onde está ocorrendo essa gestação, se ela realmente está dentro do útero. É possível também saber a idade gestacional do feto, para que assim seja possível avaliar o desenvolvimento durante a gestação. Nesse primeiro exame ultrassom, é possível detectar também se a gravidez é gemelar, já que isso demanda certos cuidados. Entre as semanas 11 e 14 é feito um ultrassom morfológico, que irá avaliar como está o desenvolvimento do bebê e se a formação está adequada, como o desenvolvimento dos membros, coração, sistema nervoso. Nesse Ultrassom será avaliado também a medida Translucência Nucal,  já que fetos com malformações ou doenças genéticas possuem uma tendência a acumular líquido na região da nuca. Esta medida ajuda a estimar o risco do feto ter algumas doenças como cardiopatias congênitas e também Síndrome de down, que gostaria de salientar não se trata de uma doença. Esse Ultrassom é normalmente realizado via transvaginal, e embora alguns médicos palpitem sobre o sexo, é bom lembrar que é apenas um palpite já que é muito cedo para avaliar com exatidão o sexo do bebê.

2º Trimestre

Como dito anteriormente, em todas as consultas o médico deverá pesar a gestante, medir sua pressão, e à partir do segundo trimestre obrigatoriamente medir a altura uterina e escutar as batimentos do bebê. Segundo a página Baby Center, a altura uterina é “uma medida que vai da parte superior do osso púbico (acima da vagina) até o topo do útero, o qual não pode ser visto a olho nu, mas que é apalpável pelo obstetra na barriga”. Veja as médias das medidas da AU, segundo a página Net bebês:

Semanas Altura Uterina
16 12,5cm
20 16 cm
24 20 cm
28 24 cm
32 27 cm
36 30,6cm
40 32 cm

Exames solicitados:

  • Ultrassom morfológico – Esse exame deve ser realizado entre a 20ª e 24ª semana de gestação e avalia o desenvolvimento do coração, rins, bexiga e estômago, a quantidade e a qualidade do líquido amniótico, identifica o sexo do bebê e pode revelar algumas síndromes e doenças cardíacas. Costuma ser o ultrassom mais demorado durante a gestação, se você quiser poder pedir para que ele seja gravado. É possível verificar também o sexo do bebê nessa fase.
  • Urina e urocultura – Serve para diagnosticar a infecção urinária, que quando não é devidamente tratada, pode levar ao parto prematuro.
  • Hemograma – Deve ser realizado na 24ª semana de gestação e serve para verificar se a mãe está com anemia.
  • Glicose –  Também na 24ª semana, deve-se realizar o teste de glicose, que avalia a glicemia após tomar um líquido açucarado chamado destrozol. É importante para verificar se a mãe está com diabetes gestacional.
  • VDRL –  O mesmo realizado no primeiro trimestre, serve para verificar se há sífilis, uma doença sexualmente transmissível, que se não for devidamente tratada pode levar a malformação do bebê ou aborto.
  • Toxoplasmose –  Também é repetido, e como dito anteriormente serve para verificar se a mãe está imune ou não à toxoplasmose e para que o médico relembre os cuidados com a alimentação, caso a mãe não seja imune.
  • Fibronectina fetal –  Consiste na retirada de secreções vaginais. Deve ser realizado na 22ª semana de gestação e avalia o risco de parto prematuro. Normalmente esse exame é realizado apenas em caso de gravidez de risco.

3º Trimestre

Perto das 32 semanas – oito meses e meio de gestação – , a sua consulta mensal poderá passar a ser feita de duas em duas semanas, e a partir da 38.ª semana é importante consultar o seu obstetra semanalmente.

Exames solicitados:

  • Ultrassom obstétrico – Verifica como está o líquido aminótico, a placenta, o desenvolvimento do bebê e a posição do bebê. Em alguns casos, o ginecologista pode solicitar ultrassom com dopplerfluxometria colorida, em que o médico verifica a circulação sanguínea entre o bebê, útero e placenta.
  • Urina e urocultura – Serve para diagnosticar a infecção urinária, que quando não é devidamente tratada pode levar ao parto prematuro.
  • Cardiotocografia –  Avalia a vitalidade fetal e a presença de contração uterina.
  • Pesquisa da bactéria estreptococo B na secreção vaginal –  É feito na 35ª semana de gestação e serve para avaliar infecções vaginais que podem prejudicar o desenvolvimento do bebê ou provocar o parto prematuro.
  • Perfil biofísico fetal –  Deve ser realizado a partir da 28ª semana de gestação. Avalia o líquido amniótico, movimentos físicos e respiratórios do bebê e a frequência cardíaca do bebê.

Exames invasivos

Segundo a Pastoral da Criança, esses exames são realizado quando há suspeita de alguma alteração cromossômica no bebê, ou quando por algum motivo o médico achou necessário. O objetivo é analisar o bebê através de materiais genéticos colhidos da gestante. Translucência Nucal fora do padrão, casos de alterações cromossômicas em gestações anteriores, nos pais ou na família, grávidas com mais de 40 anos são alguns dos motivos que podem levar o ginecologista a solicitar esses exames.

  • Biopsia do Vilo Corial – realizado entre a 11ª e 14ª semana. Com a ajuda do ultrassom, o médico insere uma agulha no abdômen da grávida e retira uma amostra do tecido placentário. Existe um risco pequeno, de 0,5%, de o procedimento causar sangramento ou até mesmo interromper a gravidez.
  • Amniocentese – realizada a partir da 16ª semana e é semelhante ao da biopsia: guiado pelo ultrassom, o médico insere uma agulha no abdômen da gestante e retira uma amostra do líquido amniótico. Também há o risco de 0,5% de prejudicar a gravidez.
  • Cordocentese – realizada a partir da 20ª semana de gestação, também guiada pelo ultrassom, a agulha é direcionada para o cordão umbilical para retirar amostras do sangue fetal. Há risco de 2% de perda gestacional.
  • Ultrassom Transvaginal realizado entre a 20ª e 24ª semana: verifica a medida do colo do útero. Quanto mais curto, maior o risco de parto prematuro. Caso esse seja o caso, o médico aconselhará a gestante a repousar, usar medicamentos ou até realizar uma pequena cirurgia, a cerclagem, para garantir a gravidez até o final.
  • Fibronectina Fetal – solicitado a partir da 22ª semana, também avalia o risco de parto prematuro.

Por fim, é imprescindível lembrar que seu Ginecologista pode solicitar mais exames devido ao seu histórico clínico. Por isso, para um bom pré-natal é importante também que haja confiança no profissional que você escolheu para acompanhá-la.

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