Filho mais velho e a segunda gravidez, como proceder?

E o filho mais velho na segunda gravidez?

Assim que soube que estava grávida, minha maior preocupação era com a Valentina. O filho mais velho precisa de muita atenção nesse momento. Na época ela tinha somente 1 ano e 8 meses e não tinha noção do que se tratava uma gravidez. Algumas pessoas afirmam que a criança sente e por isso muda o comportamento. Eu discordo totalmente! A criança ainda não possui desenvolvimento para entender que existe um bebê na barriga da mãe e que isso irá mudar a sua vida.

O que acontece na maioria dos casos é que a mãe muda o comportamento com a criança. Ela pode não se dar conta, mas deixa de pegar a criança mais velha no colo com medo de ferir o bebê e tem um cuidado especial com a barriga. Além disso, o sono excessivo, os enjoos e o mal estar certamente influenciam na disposição dessa mãe. É com essas mudanças que a criança se ressente! “Cadê a minha mãe que estava sempre sorridente e disposta para brincar comigo?” Ela se pergunta. É por isso que muitas vezes logo que a mãe sabe da gravidez a criança começa a ter comportamentos inadequados como birra, dificuldade para dormir e se alimentar, tenta chamar atenção da mãe. Mas não devemos encarar essa expressão “chamar atenção” como algo pejorativo, a criança tem uma necessidade grande da presença (não somente física) da mãe e obviamente fará de tudo para recobrá-la. Por isso, nesse primeiro momento vale a pena se esforçar para atender essa necessidade infantil. Algumas atividades como assistir filme juntos e até mesmo dormir com a criança são de grande valia nesse primeiro momento. Se a criança for maior, explique para ela que a mamãe está muito cansada e por isso não consegue brincar. Entretanto, jamais associe o cansaço com a gravidez. A criança definitivamente não precisa dessa associação negativa.

E qual é a  hora certa de contar sobre a gravidez ao filho mais velho? Eu contei assim que soube. Mas me arrependi! As crianças pequenas não conseguem se posicionar no futuro, isso é uma ansiedade gerada desnecessária. Não podemos esquecer também que “A perda de um bebê nas primeiras 24 semanas de gestação é um fato mais comum do que se imagina. Embora seja difícil precisar, entre 15 e 20 por cento das gestações de que se tem registro terminam em aborto espontâneo.” É o que diz o site Baby Center.

Eu sugiro que a criança saiba assim que a barriga começar a aparecer, por volta das 20 semanas. Isso porque assim ela terá algo concreto para se situar. A mãe pode dizer, “olha meu filho (a), tem um bebezinho crescendo na barriga da mamãe e quando ele não couber mais vai sair para ficar aqui com a gente.” Ainda assim, a criança pequena geralmente apresenta dificuldade para entender.  Não se esqueça que a cognição dela ainda é muito limitada, por isso ela não sabe que tem o bebê dentro da barriga. Ela muitas vezes beija a barriga pensando que a barriga é que é o bebê. Essa boneca foi muito útil para que a Valentina entendesse, ganhamos por isso não posso indicar o local que foi comprado.

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Tenha muito cuidado com expectativas exageradas. Dizer que “está vindo um irmão para você brincar” é mentira. Todos nós sabemos que bebês recém nascidos tomam muito o tempo e não corresponde a essa frase. Seja sincera, diga que o bebê será pequenino e que vocês cuidarão dele, mas que ele irá crescer e aí sim poderão brincar juntos.

Faça todas as mudanças necessárias antes do bebê nascer e com a maior antecedência possível. Se a criança dorme no berço e você não pretende comprar outro, não deixe para retirar a criança do berço assim que o bebê nascer. Da mesma maneira o carrinho e as mudanças no quarto (caso forem dividir o mesmo quarto). Quando essas alterações não são feitas previamente além de gerar o sentimento de perda, também faz com que a criança entenda que o caçula está chegando para retirar o que ele tem. Converse com familiares próximos e peça para que eles não façam afirmações tais como: “ah, agora o berço é do seu irmão”, “você agora é um rapazinho, não vai precisar do carrinho.” e principalmente “agora você vai perder o colo”!

Outro ponto importante é integrar a criança mais velha nos preparativos. Deixar que ela participe da escolha de roupas, decoração e outros elementos a fazem se sentir pertencente dessa nova dinâmica. Mas cuidado para não impor essa participação! Ela apenas é benéfica se for do interesse dela participar. A leve a consultas e a deixe ver o bebê no ultrassom, mesmo que ela não entenda.

O últimos mês realmente é o mais difícil. A barriga já imensa, as dores nas costas, os pés inchados nos deixam impacientes e irritados. Mas mesmo que você não saiba disso agora, você vai lamentar não ter aproveitado melhor esse último mês do seu filho como filho único. (Acredite, eu sei!) Por muitos meses assistir um filme ou montar um castelo de lego serão atividades difíceis de serem realidades com um bebê pequeno. Por isso, dentro de suas limitações tente estar com a criança. Mas uma ressalva precisa ser feita! Algumas mães tentam descarregar na criança todos os seus medos e saudades antecipadas. Retiram as crianças de suas atividades costumeiras como a escola ou estar com os avós para que fiquem mais tempo com ela. Esse tipo de comportamento certamente trará muitos transtornos quando o bebê nascer. Se somente você faz a criança dormir, não deixe que ela aprenda somente quando você for ao hospital. Introduza outras pessoas para que seu filho não se sinta sozinho.

Esse foi um dos motivos de ter ingressado a Valentina na escolinha três meses antes da Isabela nascer. Queria que ela tivesse outros vínculos além dos da nossa casa e que também tivesse contato com outras crianças.

Por fim, não perca de vista que é uma situação nova para todos. Cuidado para não inserir outras mudanças em conjunto com o nascimento do bebê. Adaptação escolar, desfralde, retirada do bico devem ser feitas com antecedência ou depois que a criança já tenha se adaptado ao novo bebê. É preciso muita empatia, ou seja, se colocar no lugar da criança e perceber que é muito mais difícil para ela do que para você. Mas entenda que ela está ganhando um presente que só você poderia dar! Não se sinta culpada, um dia de cada vez é a resposta para os dias que antecedem e principalmente os dias pós-parto.

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