Frustrações e a maternidade: o outro lado

As frustrações estão ligadas diretamente às nossas altas expectativas

Ter um filho ensina obrigatoriamente a lidar com as frustrações. Frustração basicamente é algo que sentimos quando algo que era esperado não ocorre. As frustrações são sempre advindas das nossas (altas) expectativas. E quem são os maiores alvos de nossas expectativas: nossos filhos!

É notável que uma parte considerável das novas mães não estão felizes nessa nova condição. Eu sei, privação de sono, de alimento, de tempo não são coisas boas de vivenciar e é claro que isso gera insatisfação. Mas eu estou dizendo de algo mais profundo, da felicidade. Estou falando de algo mais complexo, essa pulguinha que fala baixinho e ninguém se atreve a dizer.

Veja bem, esse post não é sobre julgamento! E levando em consideração as revistas, os corpos das atrizes e modelos 2 meses após o parto, os bebês dorminhocos das novelas e as imagens das campanhas de amamentação, acho esse sentimento normal e compreensível. Algumas mulheres chegam a pensar que é só com elas que acontece aquele caos típico dos primeiros meses. Estou aqui para dizer que não, não é só com você. E não se engane, esse caos se repete na chegada do segundo filho, terceiro, quarto. Depois que temos um filho, percebemos logo que a realidade é muito diferente do que a mídia espalha. Se a mulher romantizou a maternidade ela certamente irá se frustrar.

Eu estava mais preparada psicologicamente falando, porque fisicamente nada prepara. Sabia que ficaria noites sem dormir (ok, não pensei que fossem mais de 3 anos! ), sabia sim que minha vida iria virar de pernas para o ar, sabia que a relação com o marido certamente precisaria de ajustes, sabia que não teria tempo para quase nada. Não fui pega de surpresa, mas muitas mulheres são.

A verdade, é que a vida ficaria mais fácil se parássemos de exigir o que não pode ser exigido. Bebês vão agir como bebês, não importa o quanto você reclame. Se você está disposta a pagar uma fortuna para fazer uma grande festa de aniversário de 1 ano, é importante estar aberta para a possibilidade de que talvez seu filho não ficará  tão a vontade com o tumulto e fotógrafos por toda a parte. Quer outro exemplo? Primeiro encontro com o papai Noel. Para você é o papai Noel, o bom velhinho! Para o seu filho é um borrão vermelho, que mal ele consegue ver um rosto com tanta coisa branca no rosto. E você ainda quer que ele fique sorrindo no colo desse estranho?

Da mesma maneira, quando vamos fazer compras e ficamos irritados porque a criança não quer ficar sentadinha dentro do carrinho ou não queremos que ela corra e fica admirada com tanta informação. Você está pedindo para se frustrar. Quando vamos a um restaurante, levar um kit para que a criança se distraia é mais fácil do que querer que ela seja uma criança francesa!

Não condeno nenhuma dessas atitudes. Até porque eu também fiz uma festa grande de 1 ano, mas eu estava preparada para ter que ficar com minha filha no colo a festa inteira se preciso fosse, não pensaria que ela está “chatinha” ou  é um “bicho do mato”. Nós só temos festa se queremos, e se alguém faz uma festa surpresa para nós e não gostamos temos o livre arbítrio de ir embora. A criança não! Já pensou que os adultos são muito mais respeitados do que as crianças? Elas não tem escolha de quase nada.

Por isso, menos expectativas sobre esses seres tão cheios de luz. Crianças sempre choraram, sempre correram, sempre gritaram, sempre gostaram de um aconchego de um colo, e assim sempre será. (é o que eu espero!) Em 90% dos nossos contratempos e de nossas frustrações diárias com as crianças não está no que elas fazem, mas no que nós achamos que elas deveriam fazer.

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