Gaiolas, ninguém gostaria de viver em uma!

E se soltarmos um pássaro que viveu toda a sua vida em uma gaiola?

Como é triste ver um animal preso em uma gaiola. É verdade que ele é alimentado e bem cuidado, mas nunca aquele ambiente fechado será suficiente para a sua felicidade.

Se soltarmos um animal que viveu toda a sua vida encarcerado em uma gaiola, o que acontecerá? Ele certamente não sobreviverá. Talvez morra de fome, talvez pelos perigos da natureza. Talvez não suporte a solidão ou não consiga lidar com a frustração de ver seus semelhantes voarem enquanto que ele adulto, não sabe como bater as asas. Não sabe viver no seu próprio mundo, não sabe se abrigar, não sabe se proteger. É presa fácil para seus predadores.

E assim é com nossos filhos. Precisamos ir soltando nossos filhos aos pouquinhos, por mais que doa. É aos poucos que eles vão aprendendo a voar. É direito deles e nosso dever prepará-los para esse mundo caótico que vivemos.

Começamos a separação com o nascimento, assim que se corta o cordão umbilical, depois o desmame, a escola, a saída de casa… Mas difícil mesmo é cortar o cordão invisível. Aquela sensação de que ninguém pode cuidar dos nossos filhos (nem mesmo eles) como nós. Toda boa mãe é um pouco prepotente. Sempre tento me conscientizar que estou criando filhas para o mundo, tento me policiar quando vejo que estou impedindo tropeços a todo custo. Amparamos sim, devemos estar lá por perto para estender a mão e dar colo, mas não podemos deixar de ensinar que cair é normal e que se machucar faz parte do crescimento.

É com as pequenas quedas, que eles vão aprendendo a se levantar e a se reerguer. Quedas que não acontecem na nossa gaiola invisível. Dessa maneira compreendem que estamos sempre nos reconstruindo, nos readaptando e nos refazendo. Compreendem também que nós, os pais, estamos sempre lá de prontidão, não só para comemorar os acertos, mas também para auxiliar nos erros. Um filho precisa saber que pode sair e voar, e que ainda assim continuará sendo amado. Ele precisa saber que ele não precisa estar sempre debaixo de nossas asas para ser querido!

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