Hiperlactação: quando ter muito leite é um problema

Hiperlactação existe, veja se esse não é o seu caso!

Eu nunca tinha ouvido falar em hiperlatação. Quando ainda não pensava em engravidar, fui a uma consulta de rotina no GO e fiz uma série de exames, entre eles, ultrassom nas mamas. Durante a ultra, a médica me avisou que eu tinha excesso de glândula mamária e que certamente teria muito leite quando tivesse filhos. Minha reação beirou a indiferença, já que não pretendia ter filhos tão cedo. Mas tive uma ponta de satisfação. Qual mulher não ficaria satisfeita com uma declaração dessas?

Pois bem. Assim que a Valentina (minha primeira filha) nasceu, entendi o que significaria no meu pós-parto ter muito leite, e foi então que eu soube o que era hiperlactação. No hospital, ainda com o colostro, ela pegou o peito super bem. Ela nasceu no dia 29 de dezembro e no dia 31 meu leite desceu, o que em termos técnicos é denominado de apojadura. Lembro que dormi às 20hrs me sentindo bem e às 22 acordei com muita falta de ar. Meu peito estava tão pesado que me sufocou, já que estava deitada de barriga para cima. Me assustei muito quando olhei para baixo e vi que minhas mamas chegavam até a clavícula. Eu mal conseguia me mover! Em pleno réveillon! Tentei retirar manualmente o leite, mas não saia nada. Já estavam empedrados! Eu sabia que se continuassem ali eu provavelmente teria uma mastite. O que eu faria?? Hormônios a mil. Desesperei. Chorei. Fui para o banheiro sozinha e queria dormir na falsa expectativa de esperar tudo passar.

E quando ela acordasse como ela iria mamar? Eu teria que dar o complemento!! O que na minha cabeça de “recém parida” já significaria uma derrota. Coloquei bolsas geladas para interromper a descida, porque já estava me sentindo febril. Nessa situação, colocar água quente só estimula a produção. O problema era, como eu “desempedraria” aquelas mamas em pleno dia 31 de dezembro?

Depois de procurarem muito, meus pais conseguiram encontrar uma bomba elétrica em uma farmácia 24hrs. Levaram para mim e eu achei que conseguiria resolver o problema, mas infelizmente nada saia. Mais choradeira! Valentina ainda dormindo, ninguém sabia mais o que fazer. Foi então que tive uma ideia. Coloquei as conchas antiempedramento (foto no final do post) e tirei do guarda-roupa uma máquina elétrica antiga de fazer massagem. Com muita dor e dificuldade consegui massagear e o peito foi desempedrando, e esvaziando. Nossa, foi um alívio imediato!

Fui dormir tranquila. Valentina acordou um pouco depois. Qual foi minha surpresa quando tentei amamentá-la e constatei que estavam cheios e empedrados novamente!! Fiz todo o processo mais uma vez e dei o peito pra ela. Ela mamava chorando! Chorando não, gritando!! Tirava e colocava o peito na boca, como se eu tivesse a agredindo! Fiquei assim por mais de uma hora!! Eu chorava muito! Transpirava mais ainda de tão nervosa que ficava.Tinha uma expectativa irreal sobre aquele momento. Não era assim que eu pensava que seria amamentar! Cadê aquela cena pacífica que eu via na televisão?

E era sempre assim. Sempre eu a amamentando por mais de uma hora e ela sempre chorando. Eu suava bicas! Eu realmente não estava entendendo o que estava acontecendo. Eu tinha tanto leite! Porque ela não mamava tranquila?! Eu estremecia quando chegava a hora de amamentar. Era um tormento! Pensei muito em desistir.

Quando ela fez uma semana fomos ao pediatra e ele se assustou quando viu o quanto ela estava amarela. Estava visualmente com um grau severo de icterícia, eu não sabia que estava assim porque minha mãe é quem dava banho nela.

Senti o peso da culpa. Mas o pior, foi quando ela foi pesada com sete dias e estava com 2500kgs, sendo que ela nasceu com 3180kgs. Ele disse que eu deveria consultar urgentemente um pediatra neo natal da UTI. Disse ainda que ela estava passando fome e que por isso chorava muito. Meu chão se abriu!! Como eu poderia ter deixado isso acontecer. Mal tinha acabado de me tornar mãe, como poderia ter errado tanto em tão pouco tempo?

Em frangalhos, fomos ao hospital. Para retirar o sangue, Valentina nem se movimentou, quão fraca estava. Estava tão magrinha que suas costelinhas ficavam à mostra! Uma tristeza grande me invadia. Me senti muito incapaz. Ela não ficou internada para fazer sessões de luz porque segundo o pediatra havia casos muito sérios na UTI neo e era arriscado para ela. Ela estava no limiar e por isso teria que tomar banho de sol e ir ao hospital 3x ao dia para coletar sangue e pesar. O pediatra da UTI receitou complemento sem pestanejar. Mas eu não entendia, como isso era possível com tanto leite? Eu disse que tinha muito leite, mas ele ignorou.

Resolvi ir ao banco de leite. E foi então que vi uma luz lá no fundo. Esvaziaram todo os meus seios (quase 1 litro) e a colocaram em várias posições para amamentar. A que ela mais se ajeitava era inversamente à tradicional e a colocaram em uma almofada de amamentação, coisa que eu não tinha. E foi então que ela, pela primeira vez, mamou sem chorar. E depois ficou com uma carinha de satisfação que nunca vou esquecer. Todas as outras vezes ela ficava chorando.

A enfermeira que me atendeu me fez a seguinte observação: “Olha mãe, imagine beber água com uma torneira esguichando na sua garganta! Você engasga, sufoca! É assim que ela se sente.” Seu fluxo não sai apenas quando ela suga, ele sai o tempo todo.

Fui pra casa e não dei complemento, nunca nem comprei. Segui meu instinto. Meu marido comprou pela internet uma almofada de amamentação. Um pouco antes de amamentar eu fiz a “drenagem” de todo o meu seio, e dei para ela mamar. Com um só ela já ficou satisfeita. E assim se passaram os dias. Na consulta de um mês, aquele bebê mirradinho de 2500kgs já estava com 4500kgs.

Era realmente muito difícil, sempre ter que esterilizar tudo antes, sempre retirar com a bomba elétrica que machucava bastante e só então oferecer o peito. Sair de casa era impossível! Durante os três primeiros meses foi assim. Depois fui reduzindo a quantidade até não precisar mais.

Mas mesmo tirando, ainda assim eu tinha muito leite, e a Valentina tinha necessidade de sucção. Resultado, mamava mais do que deveria e vomitava quase sempre. Não chorava e não parecia estar incomodada, só vomitava e depois queria mamar mais. Descartamos a possibilidade de refluxo e por isso comecei marcar no relógio quinze minutos com ela mamando e depois retirava o seio. Continuava vomitando. Dez. Continuava. Cinco, e ela parou de vomitar. Esse foi o tempo que encontramos, porque o meu fluxo era muito rápido.

Com a Isabela já esperava pela mesma situação e já tinha todos os apetrechos prontos. Mas a verdade é que nunca extrai o leite antes de dar para ela. Não sei a que se deve exatamente, mas acredito que seus quase 4kgs ao nascer e seu nascimento no tempo exato (nasceu de parto normal) influenciaram muito. E por incrível que pareça, a amamentação com ela sempre foi digna de uma propaganda de amamentação! Também não golfa! Dois filhos nunca são iguais, e a experiência com amamentação também não!!

Ainda assim, sempre bebo muito chá de camomila, erva doce. Sempre bebo muita (muita mesmo) água e amamento sobre livre demanda. Com a Valentina tive rachaduras (provavelmente por pega incorreta), o uso de conchas e lanidrat foi fundamental para a cicatrização. Já com a Isabela não tive rachaduras.

O que eu recomendo veementemente é que toda mulher com dificuldades para amamentar, seja ela qual for, vá a um banco de leite!! Lá eles estão aptos a informarem e ajudarem na pega e tudo relacionado ao leite materno.

Aqui em Uberlândia o banco de leite fica no seguinte endereço:

Endereço: Av. Maranhão, Bloco 2N – Campus Umuarama – CEP: 38.405-318
Fone: (34) 3218-2666 – Disque Amamentação – (34) 3218-2657 –
E-mail: bancodeleite@hc.ufu.br Funcionamento: de segunda a sábado das 07:30 às 17:30 horas

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2 thoughts on “Hiperlactação: quando ter muito leite é um problema

  1. Amanda

    Estou passando por este mesmo problema. Às vezes tenho vontade de desistir de amamentar minha filha… não vejo a hora de normalizar a saída do leite.

    • É difícil mesmo… mas vale a pena persistir! Beijos!!

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