Leite materno: como aumentar a produção?

Como aumentar o leite materno

Recebo inúmeros e-mails, directs e comentários perguntando como podem aumentar o leite materno. Já falei sobre isso em alguns posts, mas devido à quantidade de pergunta resolvi fazer um post específico sobre esse assunto.

Antes disso é preciso detalhar a descida do leite e para isso usarei uma explanação perfeita do site Baby Center.

breastmilk-diagram-BRNo momento em que o bebê nasce, o tecido glandular de suas mamas já dobrou de tamanho, o que explica a mudança radical no número do sutiã!

Em meio às células adiposas e ao tecido glandular localiza-se uma rede de canais, chamados ductos. Os hormônios da gravidez fazem com que esses ductos aumentem de quantidade e tamanho e se dividam em canais menores perto da região peitoral. Na extremidade de cada um deles há uma aglomeração de pequenos sacos, semelhante a um cacho de uvas, conhecidos como alvéolos.

Um conjunto de alvéolos forma um lóbulo, e uma reunião de lóbulos é um lobo. Cada seio contém de 15 a 20 lobos.

O leite é produzido dentro dos alvéolos, os quais são rodeados por diminutos músculos que pressionam as glândulas e empurram o leite para os ductos. Os cerca de nove ductos lactíferos de cada seio são como canudos isolados que chegam à extremidade do mamilo, formando um “chuveirinho” que leva o leite para a boca do bebê.

O sistema de distribuição do leite fica completamente pronto já no segundo trimestre de gravidez, para que a mulher possa amamentar o bebê mesmo que ele seja prematuro.

A produção de leite aumenta quando o bebê nasce

Produção de leite e prolactina

A produção de leite em grande escala começa de 24 a 48 horas depois que você dá à luz. Esse período é cientificamente conhecido como lactogênese.

Após a retirada da placenta, os níveis dos hormônios estrogênio e progesterona começam a declinar. O hormônio prolactina, cuja quantidade vinha aumentando durante toda a gestação, é então liberado, para sinalizar ao corpo que é hora de produzir bastante leite.

Pesquisas indicam que a prolactina é também responsável por uma sensação maior de “maternidade”, daí ter sido batizada por alguns especialistas de o hormônio do instinto materno. Em geral, o leite demora mais para “descer” no primeiro filho.

À medida que seu corpo se prepara para a lactação, ele libera mais sangue para a região dos alvéolos, deixando os seios firmes e cheios. Vasos sanguíneos meio inchados, combinados com a abundância de leite, podem deixar as mamas temporariamente doloridas, quentes e cheias demais, e provocar um ingurgitamento mamário, porém a própria amamentação ajudará a aliviar o desconforto inicial.

Primeiro desce o colostro

Nos primeiros dias de aleitamento, o bebê será alimentado por uma substância viscosa, meio transparente e rica em proteínas conhecida como colostro. É possível que nas últimas semanas de gestação você tenha notado o vazamento de gotas deste líquido esbranquiçado (para algumas mulheres isso já ocorre no segundo trimestre).

Esse precioso líquido é cheio de anticorpos chamados de imunoglobulinas, fortificantes naturais para o sistema imunológico do bebê. O leite materno se transforma no decorrer da amamentação a fim de suprir todas as necessidades da criança.

Para que o bebê possa mamar, é preciso que o leite “desça” dos alvéolos. O processo funciona assim: o bebê suga o mamilo, o que estimula a hipófise a liberar os hormônios ocitocina e prolactina para a corrente sanguínea. Ao alcançar seu seio, a ocitocina provoca a contração dos pequenos músculos ao redor dos alvéolos cheios de leite. O líquido passa então para os ductos, que o transportam para os ductos que ficam pouco abaixo da aréola do seio. Ao sugar, o bebê faz com que o leite dos ductos chegue à sua boca.

Nos primeiros dias de amamentação, talvez você sinta alguma contração no abdome, na forma de cólicas, bem na hora em que o bebê estiver mamando. A sensação sinaliza a liberação da ocitocina, que ajuda o útero a voltar ao tamanho normal (esse mesmo hormônio provocou a contração do útero durante o trabalho de parto).

Também pode ser que junto com a contração venha um fluxo vaginal mais intenso de sangue, portanto capriche no absorvente. Essas cólicas são mais intensas a partir do segundo filho, e em alguns lugares do Brasil são chamadas até de “dor de parto”.

Um outro sinal é que você poderá se sentir calma, satisfeita e alegre ao amamentar. A ocitocina é, afinal, conhecida como o hormônio do amor!

Com o aumento do fluxo de leite, é possível que você também sinta formigamento, queimação ou ardor nos seios. É fundamental estar tranquila durante a amamentação para que o leite desça com facilidade.

E de que o leite é composto? Segundo Lara Sulianno:

O leite materno é composto por: água, gordura, proteínas, lactose, minerais e vitaminas. 50% das calorias são provenientes da gordura do leite. Esses nutrientes são adquiridos pela dieta da mulher e pelos tecidos. A lactose é o principal carboidrato do leite e principal componente osmótico ou seja, responsável pela extração da água para o leite. O precursor da lactose é a galactose proveniente principalmente da glicose sanguínea. A concentração de glicose no sangue está diretamente ligada à produção do leite e à quantidade de carboidrato do mesmo  (lactose) cerca de 70% e ainda na síntese, em menor quantidade, de gorduras.
As proteínas, na sua maioria no leite humano, são produzidas a partir de aminoácidos provenientes do sangue e seus precursores são filtrados do sangue. A quantidade de proteínas do leite é relativamente constante e o controle não está inteiramente entendido.
Já as gorduras do leite sofre bastante influência da nutrição e condições ambientais. Os precursores para a síntese de triglicerídeos do leite são: glicose, acetato, hidroxibutirato e triglicerideos. E o ácidos graxos para a síntese de triglicerídeos originam-se de lipídios do sangue e da síntese dentro das células epiteliais mamárias. Os ácidos graxos são praticamente dependentes da dieta e da mobilização da gordura corporal (estocadas durante a gravidez). Portanto, aumentando a ingestão de ácidos graxos, aumenta também a concentração da gordura no leite (exceto animais ruminantes, como a vaca).
Já os minerais, alguns aumentam a concentração no leite quando aumentado na dieta, outros não aumentam porém diminuem caso a dieta seja pobre, o cobre por exemplo, este tende a diminuir no leite caso a ingestão seja baixa . Já o ferro permanece constante no leite independente da dieta.

Dito isso, é fundamental dizer que o leite é fabricado de acordo com a demanda. Por isso a importância de amamentar sob livre demanda. E o que é amamentar sob livre demanda? É o aleitamento sem horários rígidos, esqueça o famoso de três em três horas, dessa maneira você permitirá que o bebê estabeleça o seu ritmo e autorregule a produção. Então quando o bebê resmungar eu tenho que dar o peito? Não exatamente, mas é normal fazer isso no início. Mas aos poucos você saberá identificar se seu bebê está com fome. Já parou para pensar que em vida intrauterina o bebê não sentia fome, se alimentava continuamente e que a livre demanda reproduz essa situação?

A maioria das perguntas que recebo são de mães que estão preocupadas porque o bebê está com alguns meses e elas acreditam que o leite diminui. Sobre essa questão importante esclarecer alguns pontos.

  • Como dito anteriormente, a tendência é que a demanda seja regulada e por esse motivo você não mais ficará com os seios ingurgitados ou vazando por vários meses. Já pensou como seria a vida de uma mãe que amamenta um filho de dois anos com os seios vazando? O corpo é sábio e por esse motivo é normal que a produção seja ajustada. Lembro que com a Valentina tive que retirar o excesso de leite até os três meses.
  • Algumas pessoas não sabem, mas o peito não é um depósito, ele é uma fábrica. mais de 80% do leite materno são fabricados durante a sucção. Isso porque é graças aos hormônios Prolactina e Ocitocina que a mulher produz e libera o leite materno e esses hormônios são estimulados graças ao contato direto com o bebê.
  • Ele está chorando, então ele está com fome! Não é exatamente assim. Bebês choram por muitos motivos, choram inclusive quando você está nervosa enquanto o amamenta. O bebê pode chorar por cólica, por frio, por calor, por necessidade de contato ou porque mamou demais. Se um bebê chora depois que mama pode ser refluxo por exemplo, e se você dar Leite Artificial para ele só agravará a situação. O ideal é que um pediatra faça acompanhamento do peso do bebê ao longo dos meses.
  • Ele está mamando de hora em hora, não era assim e agora está! Já ouviu falar em saltos de desenvolvimento? Se não, será interessante ler antes de tirar conclusões precipitadas.
  • Imagina que em qualquer uma das situações citadas anteriormente a mãe resolva dar ao bebê (sem acompanhar o peso) leite artificial. O que você acha que acontecerá? A demanda diminuirá e a produção também. Pronto, agora sim temos uma baixa produção, isso sem falar na confusão de bicos. Na psicologia chamamos isso de profecia autorrealizadora.

Agora que alguns pontos foram esclarecidos, vamos ao assunto principal do post. Como aumentar a produção de leite materno?

  • Durma o suficiente. Uma mulher cansada fatalmente sentirá sua produção diminuir.
  • Tenha uma alimentação balanceada e saudável. Não é momento para cortar todos os carboidratos por exemplo. Diversos estudos comprovam que uma dieta restritiva durante a amamentação diminuem a produção de leite.
  • Exercícios devem ser realizados com orientação.
  • Aumente a quantidade de água, de três a quatro litros de água são suficientes. Você pode beber água de coco, suco natural, mas não substituir totalmente a água pura para se hidratar. Preciso dizer que refrigerante não hidrata?
  • Se você perceber que a produção diminuiu consideravelmente acalme-se, tente diminuir o ritmo e invista em chás de duas em duas horas (eu faço isso e funciona aqui). Mas cuidado na escolha do chá, beba chá de camomila, erva doce e erva cidreira.
  • Não existe comprovação científica de que alimentos como canjicas e bebidas alcoólicas interfiram na produção de leite.
  • A pega correta influencia na produção, vá a um banco de leite ou peça ajuda ao pediatra ou enfermeira.

Espero que muitos pontos tenham sido esclarecidos! Mas se alguma dúvida ficar pergunte nos comentários que tentarei responder. Beijos!

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