Mãe solteira: e agora, o que vou fazer?

Vida de mãe solteira por Pâmela Ghilardi

Falar sobre ser mãe solteira não é uma tarefa nada fácil, pois isso vem de história para história. Mas acredito que contando a minha, muitas vão buscar uma nova visão de como seguir em frente!
Engravidei de uma noite de puro descuido, em uma fase muito complicada da minha vida e descobrir foi algo que me deixou sem chão, a única saída seria a pior decisão, um aborto. Contar para o “futuro pai” ele também optou por essa decisão e foi atrás de tudo que era necessário. Para minha surpresa é muito mais fácil que se imagina, comprou um remédio na internet, reservou um hotel. Estava tudo certo para que fosse feito. Mas um dia antes, meus pais descobriram. Não sabia esconder a minha vergonha. Sim, vergonha. Todos dizem, ah, mas como consegue engravidar com tantos métodos anticoncepcionais e bla bla bla, mas falar, como sempre, é muito fácil. O “futuro pai” ficou totalmente enlouquecido pela minha opção em não fazer o aborto, me chingou de todas as maneiras e sumiu.
Minha família me abraçou, minhas amigas me abraçaram, Deus olhou por nós. Aos poucos uma base foi se formando para que a chegada do bebê fosse tranquila e nisso minha família estava de volta, meus pais voltaram e isso me deixava feliz demais.
Depois de quatro meses o “futuro pai” me procurou para que pudéssemos conversar e disse que assim que o bebê nascesse ele iria querer DNA, não hesitei em concordar que faria.
Ao descobrir que o bebê era um menino, não contive minha emoção, pois o sonho do meu pai sempre foi ter um menino (sou eu e mais duas irmãs) e a partir desse momento eu tive certeza que o caminho que Deus havia escolhido para mim estava perfeito.
Não foi nada fácil ser nova, no auge da minha liberdade, ter que abrir mão de festas, amigos e tudo mais para gerar uma criança. Ver meu corpo mudando dia-a-dia, crescendo mais e mais. Evitei muito em sair e tirar fotos, pois não me aceitava daquela forma, pois as pessoas na rua me olhavam torto e tudo mais.
Lucca quis se apressar e com 34 semanas tive inicio de parto prematuro e tive que ficar em repouso absoluto por 15 dias e ao fechar exatos 15 dias do repouso, minha bolsa estourou. Oito horas em trabalho de parto e apenas 1 cm de dilatação, Lucca veio ao mundo dia 01.10.2012 as 10:38, com 50 cm e 3.680 gramas, muito saudável e pronto para iluminar a vida de todos que rodeavam a mim.
O então, pai do Lucca, não havia contado para ninguém, apenas para sua mãe e sua irmã. Todos souberam por uma foto no facebook dizendo que havia ficado pai. Ai foi o tumulto, todos querendo ver o Lucca e saber de tudo.
Pai do Lucca foi presente durante uns 3 meses, mas com muito do meu esforço. Mandava mensagens, fotos, noticias, mas comecei a perceber que se não fosse eu, ele não procuraria e fui deixando. E as semanas e meses passando. Eu me irritava com descaço e ia atrás. E foi assim por inúmeras vezes, até que cansei e desisti de verdade.
Minha família sempre me apoiou na criação do Lucca, em tudo que eu e ele precisávamos e assim continua até hoje, levei muito tempo para começar a retomar minha vida, sair um pouco com minhas amigas e aproveitar algumas horas de folga.
Quando se é mãe solteira, tem que ter certeza do que se quer e a minha escolha sempre foi que não queria ninguém fazendo papel de pai para o Lucca, pois ele tinha meu pai como exemplo incrível de figura paterna e assim, na medida em que Lucca foi crescendo e ficando mais independente de mim, conseguia tirar algumas horas a mais de folga e assim que conheci um cara incrível que me dá toda a liberdade possível para que eu possa criar meu filho da forma que eu acredito ser a certa. A minha escolha de não querer que outro homem faça esse papel sempre foi muito forte em mim e isso fez com que eu consiga ter momentos de mãe e de mulher.
Além disso, optei que teria um cantinho só meu e do filho, corri atrás, lutei muito e consegui conquistar o meu primeiro apartamento. Pequeno, sem grandes luxos, mas com muito amor dentro dele. A escolha de ir morar sozinha não foi fácil, sair de baixo da asa dos pais, do conforto de tudo na mão e não precisar se preocupar com as contas da casa, mas era necessário, precisava buscar dentro de mim mais força, pois sabia que a tarefa não seria fácil, pois morando sozinha eu não teria aquele momento “ah, me ajuda aqui para trocar a fralda” ou “fica com ele para que eu possa tomar um banho”, coisas do tipo, mas nada é impossível, a gente até hoje está se adaptando a ser a nossa mini família, ter a nossa rotina. A casa a maioria das vezes está uma bagunça, mas amor nunca faltou e nunca irá faltar e por mais que seja muito, mas muito cansativo eu não trocaria por nada isso.
Tempos se passaram, até que uma noite recebi uma mensagem pedindo para que pudessem visitar o Lucca no final de semana (Lucca já tinha 1 ano e 6 meses). Entrei em pânico, chorei muito, muito mesmo. Sempre soube que essa hora iria chegar, mas estar de cara com ela, não era algo que eu queria. Conversei com meu namorado, família e todos ficaram com o coração partido, mas sabíamos que o correto era deixar que fizessem a visita.
Visita feita e dias depois bateu a minha porta a carta de intimação para a regularização da guarda do Lucca. Nesse momento perdi meu chão, a minha raiva foi enorme. Já estava tudo planejado. Fui atrás do melhor advogado da área e tratei de preparar mentalmente para o que viria.
Conversei muito com Deus, para que ele guiasse e iluminasse meus passos mais uma vez e fui para audiência. Doeu muito estar lá, brigando pelos direitos do meu filho, com alguém que por muito tempo nunca soube nada dele. Claro que quiseram argumentar que eu que não deixava ver, levaram fotos da visita e tudo mais, mas o juiz não deu bola e partiu para o que era necessário. Ficou acordado 25% de pensão, inclusão do Lucca no plano de saúde dele e visitas de 15 em 15 dias, começando pelo final de semana que se aproximava.
Foi muito difícil me preparar para esse dia, chorei muito, rezei muito, mas sabia que era o certo, meu filho tem outra família também, que mesmo que por um tempo ficou distante, mas que o amavam. Claro que pra ele não foi fácil também, passar o dia todo com pessoas que você mal conhecia, mas ele mostrou mais uma vez o quanto é iluminado e ficou super bem. A ida dele para a casa do pai é ainda muito sofrida, por mais que já se passaram uns 4 meses, mas logo passa e ele fica agora já fica o final de semana todo lá.
Sempre presto muita atenção nos detalhes, na forma que ele volta para casa, se está feliz, bem cuidado, limpo e questiono tudo que ele fez no final de semana. Por mais que ele seja pequeno, qualquer coisa de diferente ele vai demonstrar.
Com a perda do meu pai, fiquei totalmente sem chão e pude contar com o apoio de toda a família do pai do Lucca, ficaram com ele por vários dias para que eu pudesse passar por todo o processo. Perdi a maior referência paterna que queria para o Lucca. Meu pai sempre foi um herói para mim e estava passando tudo para o Lucca e perder ele, foi perder meu chão. Me mantive de pé pelo meu filho, pela luz que ele me trouxe e por saber que Deus mandou o Lucca pois sabia que logo teria que levar meu pai e por isso que hoje espero muito mais do pai do Lucca, quero que ele seja para o Lucca, o que o meu pai foi pra mim!
Mas de qualquer forma eu sou tudo que Lucca tem, eu e ele somos uma família, pequena, mas muito feliz e com muito amor, tenho certeza que tudo que faço é pensando apenas no futuro dele, no quanto eu quero que ele olhe para trás e veja tudo que fiz por ele, nos momentos que proporcionei a ele, na vida que trilhei para ele. Nossa vida não é nada fácil, passo por grandes perrengues como qualquer pessoa, mas me dei a liberdade de fazer mais por mim e pelo meu filho e isso me poupou de muita coisa.
Ser mãe solteira não é nada fácil, é algo que te exige mais do que você acha que pode dar, mas mesmo assim, por mais desgastante, cansativo e as vezes até doloroso que seja, você segue em frente e segue com um sorriso no rosto e amor no coração, pois tem uma ser que você gerou dentro do seu ventre e precisa de você.

 Pâmela Ghilardi

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