A mamãe está aqui

Eu sou o último rosto que ela vê antes de dormir. Também sou o primeiro quando ela acorda. Nas madrugadas sou eu quem diz inúmeras vezes: a mamãe está aqui. Porque realmente estou aqui pra ela. Não só o meu corpo, mas meu espírito também. Eu escolhi anular uma parte considerável de mim pelo tempo que fosse necessário, pra lá na frente eu saber que fiz tudo o que podia. Se pudesse fazia mais…
Eu bebo água depois que amamento tentando não fazer barulho, eu deito e fico olhando seu rosto e durmo ouvindo sua respiração.
Eu acordo com gritinhos de alegria, mas às vezes acordo assustada com um choro. Mas eu estou sempre ali, na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença, na riquezas que a vida me trouxe e na pobreza de espírito que vejo no noticiário. Eu não sou só o mundo dela, eu sou a visão que ela tem do mundo. Essa é a sua primeira impressão do que é o “tudo”, de como são as pessoas. Eu nunca serei seu “nada”.
É minha disponibilidade, meus braços, meu tom acolhedor que dá para ela qual é o tom da vida que a espera lá fora.

 

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