Mamoplastia x Amamentação por Carol Makarausky

Mamoplastia X Amamentação, a história de Carol

Eu tinha apenas 20 anos quando fiz a mamoplastia redutora. Tirei 1 kg de peito. Esse era o meu sonho de toda uma adolescência. A vergonha me obrigava a fechar os ombros para esconder os seios e, usar sempre “sutiãs de vovó” era deprimente… Eu morria de vontade de usar sutiã de algodão, de desenhos, fofos, coisa de adolescente… Mas não, eu precisava usar os com sustentação… Dor nos ombros que estavam sempre marcados e a coluna já mostrando os sinais do peso… E biquíni? Sempre tinha que mandar fazer… Aos 20 anos realizei meu sonho… Queria usar 42! Mas o médico me explicou que meu biotipo pedia um 44. Lembro-me da anestesia passando, eu ainda bastante sonolenta, me sentindo como se tivesse sido atropelada por um caminhão, mas feliz da vida! Eu abri a camisola da clínica ainda deitada, e vi que mesmo com panos e faixas o sutiã com qual eu fui não enchia mais… A felicidade tomou conta de mim e eu só queria ver o resultado! Quando me levantei para tomar banho e ver como ficou, eu olhei para baixo e vi meus pés! Eu ria sozinha! Há muito tempo que eu olhava para baixo e só via seios… Eu me sentia linda e realizada! Usei o sutiã pós-cirúrgico por uns dois meses, mas depois, adeus sutiã com sustentação! O que eu não sabia era que essa cirurgia interferiria na minha capacidade de amamentar.
Com 20 anos, solteira, querendo conhecer o mundo, não me passava pela cabeça ter uma criança sugando meu peito. Eu sabia que teria filhos, sempre quis ser mãe. Mas, naquele momento, não era isso que povoava meus pensamentos.
Minha mãe sempre teve muito leite, então, eu achava que nunca teria problemas com isso.

Com 28 anos eu engravidei. Não planejei e nem tentei. Foi no susto mesmo. Tomando a pílula amiga. (Hoje vejo que ela realmente foi minha amiga, pois me deu meu bem mais precioso!) A primeira mudança que senti foram meus seios… Cresceram desesperadamente, de forma a me impedir de ver meus pés novamente. Com isso, eu achava que seria uma verdadeira “ama leiteira”. Eu queria muito doar leite. Achava que seria capaz de amamentar a minha piolha e ainda doar leite. Ledo e triste engano.

Em outubro de 2014, 9 anos após a cirurgia da felicidade, dei a luz à minha filha. A emoção de vê-la pela primeira vez foi indescritível, e eu só queria saber quando abraçaria aquele serzinho próximo a mim e a amamentaria, a nutriria com o meu leite e o meu amor.
Quando ela chegou para mamar, já veio esperta, de olhos abertos, dona da situação e senhora de si. Já sabia o que fazer, nasceu pronta e preparada. Pegou meu seio de primeira, com uma pega perfeita e sugava com força. Minha mãe sorria encantada, a enfermeira se mostrava surpresa por ter sido tão fácil, e eu, me sentia plena, completa, me sentia mãe. Eu não sabia o que estava por vir.
Depois, veio uma enfermeira para ver o processo da amamentação. Olhou para os meus seios e falou “você fez mamoplastia.” Eu disse que sim, apesar de não ter sido uma pergunta. Ela apertou o meu seio e saiu uma gota de colostro. Uma gota meio bege, meio branca, brilhosa, linda, valente. Uma gota que significava a vida! Ela falou que eu poderia amamentar, que deveria apenas observar se continuaria saindo. Virou as costas e foi embora.
Ela não me falou nada além disso. Não falou que quem faz redução, principalmente quando se tira bastante, tira mais que gorduras, tira glândulas e ductos. Há nove anos eu não me preocupei com isso. Eu achava que tirava gordura e só. Eu não sabia que minha produção de leite ficaria comprometida, não sabia que não poderia ter um aleitamento materno exclusivo, algo com o qual eu sonhava.

No segundo dia, tudo correu normalmente. Ela chorava e eu logo colocava no peito. Ela ficava o tempo que ela queria mamando, e eu admirando. Me achava sortuda, pois as enfermeiras falavam que meu colostro já havia descido. Eu me sentia realizada por nutrir a minha filha, me sentia capaz, abençoada, especial.
A noite, quando meus pais foram embora, ficamos apenas nós três, eu, ela e meu marido. Perto das 23hrs ela começou a chorar desesperadamente e de forma instintiva a coloquei no peito. Ela continuou chorando mesmo após mamar. Eu não sabia o que fazer. Apertamos o botão mágico, e nenhuma enfermeira apareceu. Havia passado meia hora, ela adormeceu e desistimos das enfermeiras.
Eu, marinheira de primeira viagem, achei que era uma cólica, ou qualquer outra coisa, nunca imaginei que poderia ser fome.
Perto das 23h40min, vieram buscá-la para levá-la ao berçário, eu não sabia que ela poderia dormir comigo no quarto, achei que era de praxe levar os bebês para lá. Eu estava com o coração apertado, e, meia noite e meia começou a me dar um aperto mesmo, e uma vontade de ver a minha filha, não conseguia pensar em outra coisa e muito menos dormir. 1 hora da manhã uma enfermeira loira entra no meu quarto, dizendo que precisava conversar comigo. Eu quase morri do coração. Ela disse que a Anna Julia estava muito chorosa e por isso fizeram um teste de glicemia nela, e havia dado 40! A glicemia em 40 é bem abaixo do esperado, ela deve ser no mínimo 50 para ser considerada uma boa taxa. Eu entrei em pânico! Ela disse que, por esse motivo, dariam complemento para ela e repetiriam o teste em 1 hora. Eu fiquei com o coração na mão. Eu pedi para ela vir me avisar assim que fizessem o teste. A glicemia subiu, ela ficou bem e dormiu.
Eu me senti muito mal. Me senti a pior das mães. A tal gota pérola era apenas uma gota. Eu não conseguia produzir o suficiente. Mas, não parou aí.
Todas as enfermeiras que entravam no meu quarto pediam para ver o meu seio e o apertava para ver o colostro. E o pior, todas falavam “ah, você é a da mamoplastia, né?!” Eu me sentia um ET. Me sentia culpada por um dia ter sido tão feliz em reduzir os seios. O pediatra veio na manhã seguinte, junto da tal enfermeira loira, que olha pra ele e fala como se eu não estivesse ali “essa é a da mamoplastia”. O pediatra, um senhor de idade, um museu, foi super seco comigo. Num momento em que a mulher já está fragilizada pelos hormônios, preocupada com a glicemia da filha, ele deveria ser um profissional melhor, mais zeloso. Ele falou, de forma bem seca e direta que ela estava sugando e nada saía, e que, muito provavelmente, meu leite não desceria por causa da redução. Disse que, devido a minha cirurgia, eu não seria capaz de amamentar a minha filha, e que teria que dar mamadeira se não quisesse que ela morresse de fome. Mais uma vez eu me senti muito mal. Ele fez todos os testes com ela e disse que ela estava bem, que teve todas as respostas dentro do esperado, que o único problema era o meu leite, ou melhor, a falta dele. Ele saiu e eu fiquei olhando para aquele serzinho tão pequeno e indefeso no meu colo. Me senti muito mal e incapaz. Eu queria alguém que me falasse o oposto do que o pediatra falou, alguém que me ajudasse. Minha mãe chegou na hora do almoço, olhou pra mim e perguntou o que havia acontecido.
E aí eu falei tudo. Eu me segurei para não desabar, para ser forte, para ser mãe, para ser leoa se fosse preciso. Eu nunca havia sofrido tanto preconceito por ter reduzido os seios. Sim, preconceito. Meu marido também percebeu que a maioria das enfermeiras me olhavam torto e comentavam maldosamente que eu era a tal da mamoplastia, a ET. Eu não fiz apenas por questão estética, fiz por necessidade e também por vontade. E outra, se eu fiz ou não, foi escolha minha, problema meu, elas deveriam respeitar e ajudar, auxiliar, fazer o trabalho delas!
Minha mãe pediu para conversar com outro pediatra, e eu quis falar com uma pessoa do GAAM – Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno. Então, a pediatra Juliana e uma enfermeira (que não lembro o nome), vieram ao meu quarto para falar comigo e ver a minha filha. A enfermeira me informou que todas as enfermeiras fazem parte do GAAM e tem o mesmo treinamento, eu fiquei chocada! Imagina se não fizessem parte da equipe! Ela sentou ao meu lado, examinou meus seios, apertou, viu a gota do colostro e mandou colocar a Anna Julia para mamar. Viu que ela tinha uma pegada boa, e que eu tinha força de vontade. Nisso, eu estava cansada de tanto colocar e tirar ela do peito, estava doendo bastante, e o seio machucou, estourou uma bolha e saiu sangue. É uma dor ardida, que queima, só quem sente sabe. Meu bico parecia queimar, e eu continuei insistindo. Cheguei a amamentar com lágrimas nos olhos de dor, mas eu insistia, achava que assim poderia haver um milagre e haver leite.
A pediatra foi extremamente atenciosa, foi tudo o que a gente espera encontrar em um profissional num momento desses. Eu relatei para ela todo o ocorrido, desde a noite anterior, em que apertei o botão que chama a enfermeira e ninguém apareceu. Ela me explicou que o leite desce a partir do 3o dia, que era pra eu ficar tranquila, porque, se eu tinha colostro, certamente eu teria leite, e que precisávamos esperar para ver se a produção seria suficiente.
Depois da conversa com essa pediatra eu me senti melhor e mais segura. Ela chamou uma enfermeira que até então eu não havia conhecido, explicou o meu caso e ela passou a me acompanhar de perto.
Combinamos que eu amamentaria o máximo possível, e que, após a mamada ela ofertaria o complemento para a minha pequena. Me senti melhor assim. Eu faria a minha parte, eu tentaria, e as pessoas respeitariam a minha decisão e a minha vontade.
O apoio do meu marido e dos meus pais foi fundamental em todo esse processo.

No final da tarde, vieram me falar que a icterícia dela estava subindo, então, ela precisaria de banho de luz. Eu sou O negativo, e ela, A positivo. Brinco que ela foi minha primeira nota alta com louvor! A icterícia dela estava em 8,7 então já entrariam com o banho de luz para estabilizar. Dá um dó… Glicemia baixa, tendo de ser furada após cada mamada, meus seios ardendo devido ao nosso início de amamentação, banho de luz, o pediatra museu me dizendo que eu não seria capaz de amamentar. Mal sabia ele que eu ansiava por esse momento, que sonhava em amamentar exclusivamente e ainda poder doar leite. Tudo isso foi um baque, mas eu me mostrei forte, me fiz forte. Os bebês sentem as nossas emoções, sentem toda a energia do ambiente, de nós, por isso, busquei forças não sei onde para ficar bem.
Com tudo acontecendo, eu sorria, eu adorava as visitas. As visitas foram ótimas, me distraíram totalmente. E só vão saber agora, lendo esse relato, tudo o que eu passei lá. Não reclamei para ninguém. De um lado, eu tinha o meu marido me apoiando e me segurando, e do outro, meus pais. E, o mais importante, eu tinha a minha piolha. Por ela eu faria tudo.

Amanheceu o sábado, nosso último dia no hospital… A técnica de enfermagem que cuidou de mim desde que cheguei ao quarto estava lá novamente. Comentei com ela o que havia acontecido, e encontrei compreensão. Ela me escutou e disse que também fez redução de seios. Ela conversou comigo e me tranquilizou. Me senti mais leve. Por que as demais enfermeiras não foram compreensivas? Trabalham com o ser humano, com a emoção a flor da pele, com sentimentos a mil.

Enfim, chegou a hora da nossa alta! Hora de ir pra casa! Ela estava linda na roupinha que escolhi com tanto amor! Estávamos esperando apenas a visita do pediatra para dar alta a ela. Chegou a pediatra, uma moça bonita, bastante jovial e bastante atenciosa. Ela já sabia do meu caso e me explicou os motivos da minha dificuldade em amamentar.
Disse ter conhecido outros casos iguais ao meu, e que, em nenhum deles houve o aleitamento materno exclusivo. Disse que eu continuaria a dar o pouco que eu tivesse e complementaria com a mamadeira. Falamos sobre mamadeiras, a que seria melhor para ela e tivemos alta. Simples assim. Tirei algumas dúvidas e sai de lá com a minha princesa nos braços, com um sorriso de orelha a orelha e uma orientação de dar 30ml de leite artificial de 3 em 3horas.
Antes de sair do hospital, eles ofertaram o leite a ela, mas ela tomou pouco. Fomos direto pra casa, nos acomodamos e meu marido e meu pai foram comprar a mamadeira e o leite. Sábado, São Paulo, pouco após a hora do almoço. Parece que todas as pessoas estavam na rua. Eu estava em casa com a minha mãe e a minha filha, e ela começou a chorar. Eu a coloquei no peito, mesmo sabendo que havia pouco leite, ela sugava com força e continuava a chorar, chorava sem parar, chorava de fome, e meu marido não chegava com o leite. Eu me senti a pior mãe do mundo, a mais fraca, mais incapaz. Eu chorava com ela em meus braços por não conseguir alimentá-la, por não conseguir saciar a fome dela, uma necessidade tão básica. Eu só conseguia abraçá-la e pedir desculpas.
Quando eles finalmente chegaram eu não quis dar a mamadeira. Pedi a minha mãe que o fizesse por mim. Para mim, doía ter que fazer isso. Doía ser tão fraca, tão incapaz, doía não poder nutrir, alimentar, a minha própria filha. Eu só conseguia me sentir culpada, como eu seu tivesse feito algo errado, como se estivesse pagando por algum pecado cometido.

Chorei muito… Todas as vezes que ela chorava, eu chorava junto, e, quando estava sozinha, chorava também.
Chorava por não conseguir amamentar, chorava por me sentir triste, pelo vazio na barriga, pela queda hormonal, por sentir um vazio em mim, na barriga no corpo, nos seios e na alma. Depois, descobri que existe algo chamado “baby blues”, e muitas mães passam por isso… Fiquei assim por umas duas semanas, me sentindo culpada, triste e vazia.
No domingo houve a tal “descida do leite”. Eu tinha pouco, mas tinha alguma coisa… E, os meus ductos estavam “entupidos”, não saía o leite… A dor era insuportável. Meus seios incharam desesperadamente, não cabiam no sutiã. Ficaram quentes, duros e muito doloridos. Nada podia encostar neles. Eu não podia abaixar os braços. Ela não conseguia pegar o meu peito, pois estava duro, e o pouco que tinha, não saía… Minha mãe me colocou no chuveiro, passou o pente, massageou, e eu quase desmaiei de tanta dor.
No hospital eu havia recebido um livreto com diversas informações sobre amamentação, bebê e coisas desse novo mundo. E lá dizia que o hospital dá suporte a amamentação. Minha mãe ligou e fomos informadas que era só marcar uma consulta, e, por telefone, ela passou algumas diretrizes para a minha mãe. Durante todo o domingo minha mãe massageou os nódulos que se formaram em meus seios para aliviar a dor, numa tentativa de desobstruir alguma coisa.

Na segunda amanheci bem melhor, mas ainda sim liguei e marquei uma consulta para o dia seguinte. Fomos todos juntos. Eu, meu marido, nossa filha e meus pais. Nessas horas, o apoio de quem amamos e confiamos é mais do que fundamental. Com eles ao meu lado, incentivando, amando, apoiando e ajudando, eu me senti capaz.
Na nossa primeira consulta fui muito bem atendida, a enfermeira Juliana me explicou o porque da minha dificuldade, o procedimento cirúrgico e como ele afetava os seios e por conseguinte a amamentação. Na pesagem, descobrimos que ela havia perdido ainda mais peso, e, na 1a noite, quando ela chorava e eu achava que era cólica, na verdade era fome. Pura e simplesmente fome. Aí, todos aqueles sentimentos confusos voltaram. Me senti despreparada, e nem com uma mamadeira eu era capaz de suprir a necessidade dela. Fui orientada a aumentar a quantidade de complemento o quanto ela quisesse. Marcamos o retorno para daqui a dois dias.

Em casa, eu já estava mais confiante, mais tranquila, mais feliz. Preocupava-me o fato dela não estar evacuando. E, a icterícia começou a aumentar. Ela começou a ficar amarelinha, meio laranja, e eu cheguei a brincar chamando-a de cenourinha. Até banho de chá de picão demos nela para ela melhorar.
Eu queria muito amamentar, e fiz de tudo para isso. Tudo o que ensinavam, eu fazia. Comi quase um milharal inteiro de tanta canjica que a minha avó fez para mim. Até galinha velha de sítio eu comi! Sim… Galinha, e velha! Ensinaram que, fazer um ensopado de galinha velha ajudava a ter mais leite. E que deveria ter bastante caldo. Eu fiz, eu comi, eu tentei. Aveia, cerveja preta, extrato de algodoeiro, chá da mamãe. Eu fiz tudo o que ensinavam.
Na segunda consulta, logo falei da minha preocupação com a cor dela, e a enfermeira já chamou a pediatra que veio examiná-la e solicitou o exame de icterícia. Fiquei apreensiva e com o coração na mão ante a possibilidade dela ser internada para ficar em banho de luz. Na pesagem descobrimos que ela ainda não havia ganhado peso, o que era preocupante, mas, ao menos, não havia perdido mais. A enfermeira me ensinou novas posições para amamentar e me explicou como estimular para uma melhor pega do bebê na auréola, para assim, extrair a maior quantidade possível de leite.
O resultado da icterícia saiu. Não era ainda um número para internação. E a pediatra disse que ela não estava evacuando porque não estava mamando o suficiente. Imagine como eu me senti de novo… Eu só iria errar? Eu ia deixar a minha filha passar fome? A pediatra, que, por coincidência, era a mesma que foi no meu quarto para conversar comigo e com a minha mãe depois do episódio da hipoglicemia da madrugada, me disse que ela precisava mamar mais para poder combater a icterícia e também evacuar.

Ali eu virei mulher, virei mãe, virei leoa. Deixei de ser a filhinha querida do papai e apenas a esposa. Ali eu me despi de mim mesma, acabei com meus próprios medos e preconceitos. Ali, eu aceitei que eu seria mãe de qualquer maneira. Amamentando ou não. Eu a alimentaria, a nutriria, não importava se seria por uma mamadeira ou pelo meu seio. Só importava ela, e mais nada. E eu não seria mais ou menos mãe por isso.
Voltamos para casa, eu, apesar de eu ter transposto o meu próprio mar vermelho, eu estava bastante chateada, queria a minha piolha bem, crescendo, ganhando peso e desenvolvendo.
Segui a risca todas as recomendações. Quando ela fez coco de madrugada, e quanto coco!, foi uma festa só! Rs
Continuamos indo às consultas de aleitamento, e, em uma semana, ela ganhou quase 200g! O que dava um ganho ponderal de, aproximadamente, 30g por dia, que está dentro do esperado, do considerado normal. Eu fiquei extremamente feliz! Ela estava indo bem e as nossas consultas continuando.

Em algumas semanas ela ficava abaixo dos 30, noutras acima. O importante era o peso, e estava bem. A enfermeira Juliana então, quando normalizou a situação dela e não estávamos focados apenas no peso, me ensinou a relactação. Uma maneira dela não largar o meu peito e tentar estimular a produção, uma tentativa de aumentar o meu leite.
Me senti um pouco esquisita na primeira vez que tentei essa técnica. É diferente. Mas, o que realmente vale é o momento entre mãe e filha, o vínculo, o amor que a gente passa para eles nesse momento.
Amamentar é um ato único. Como já diz a raiz da palavra, é um ato de amor. Cumplicidade, confiança, calma e muito, muito amor.
A relactação funciona da seguinte forma, você coloca o bebê no peito para mamar, e, insere uma sonda junto ao mamilo, na boquinha dele. Assim, conforme ele suga, vem o leite artificial pela sonda e ele mama junto ao seu leite.
Não é fácil. É necessário muita paciência, calma e vontade. Confesso que muitas vezes eu cansava e me irritava, porque nem sempre conseguia encaixar a sonda na boca dela, ou quando encaixava ela soltava… Mas eu insisti, e estamos nessa de relactar. De nos amar e respeitar.
Amo quando ela está no meu seio mamando o meu leite junto ao leite artificial, para ela não importa qual leite é. Importa eu estar ali, o calor do meu corpo, o meu cheiro. A maneira como ela me olha, e, me ver refletida nos olhos dela, vale tudo.

Portanto, se você teve ou tem alguma dificuldade em amamentar, primeiro saiba que você não é a única, e depois, procure ajuda. Procure apoio no seu marido, em seus pais, ou com uma amiga. Vá a uma consulta de aleitamento. Não se sinta culpada, envergonhada e nem nada do tipo. Dispa-se desse pudor, liberte-se e fale sobre isso.
Todas nós somos capazes, mesmo que seja apenas com 30 ml, assim como eu.

Amamentar não é apenas dar o seu leite ao seu filho. É amar! Eu posso não ser capaz de amamentar com leite, mas sou mais do que capaz de amar! Eu a amo! Amo incondicionalmente, de uma maneira desenfreada e louca! De um jeito que jamais pensei ser possível!
E eu a nutro sim. Com amor, com carinho, com dedicação… Nosso vínculo já está mais do que estabelecido. Está firmado e sacramentado. Eu sou dela e ela é minha. Continuamos sendo uma só. Amo quando ficamos nos olhando, quando ela sorri para mim e quando só o meu colo a acalma…
Ela pode não ter tido 100% do meu leite, mas tem 200% de mim! Ela me tem por completo.
Então, não vamos nos sentir menos porque não conseguimos amamentar… Isso é apenas uma parte de um todo. Fomos capazes de gerar, parir, cuidar, amar… E tem tantas outras coisas que virão e seremos sim capazes!

Hoje, não choro mais pelo meu pouco leite, pela minha dificuldade e nem pelo julgamento dos outros.
Esses que me julgam por não poder amamentar, certamente julgam outras que amamentam por outros motivos… Até mesmo por amamentar demais!
Agora, só quero nutrir o coração dela com o meu amor. Quero me dedicar a ela, e ser criança com ela. Quero me encantar e me apaixonar com cada descoberta, com cada conquista e com cada evolução…
Eu posso não ter sido capaz de amamentar, mas, sou capaz de muito mais que isso! Sou capaz de me doar, de me entregar, de amar, e de me ver refletida nela.

Então, se você teve a mesma dificuldade que eu, independente do motivo, seja por cirurgia, acidente, emocional, ou o que for! Lembre-se de que você nutre o seu filho com o seu amor, com a sua dedicação. E ele precisa de você do mesmo jeito. O que importa está dentro do seu peito, o seu coração, o seu amor.
Ame. Simplesmente ame.
Por Anna Carolina Makarausky,
@carolmakarausky
Carol.makarausky@hotmail.com

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Relactação

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*Todas os relatos da coluna Histórias de Mães são postados com autorização e são de inteira responsabilidade do autor do texto. Para ter seu relato aqui envie para contato@mamaeduasvezes.com.br

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