Nós dois: história de nós dois.

História de nós dois

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.

Fernando Pessoa

Hoje é aniversário do meu amor, aquele que sempre faz meus dias ficarem mais leves e coloridos. Algumas pessoas tem esse dom de deixar a nossa carga mais amena, que se fortalecem quando estamos fracos só para nos ajudarmos a nos reerguer. Pessoas que possuem alguém assim na sua vida são abençoadas, e por isso eu agradeço todos os dias a Deus por ter colocado ele meu caminho. Estamos juntos a poucos anos e por mais que seja clichê dizer isso, é como se eu o conhecesse a vida toda.

Nossa história teve um início muito conturbado, ninguém acreditava em nós e confesso que até eu mesma cheguei a duvidar que fosse dar certo. Nossa história também é a certeza de que nós fazemos um plano, mas Deus faz outro. Não quero ofender ninguém com minhas crenças, mas apesar de não ser religiosa acredito que Deus tem sempre algo reservado para nós.

Quando ainda estava na faculdade, eu namorava com outra pessoa e decidimos que eu ia prestar um concurso público para que quando que formássemos fôssemos embora de Uberlândia. Escolhemos São Paulo porque seria melhor para ele conseguir um emprego. O relacionamento não deu certo, mas eu passei no concurso.

Felizmente fui convocada somente quando já estava formada, mas não tinha onde ficar e nenhuma referência. Afinal, nos meus planos iniciais eu não iria sozinha. Acontece que minha prima estava namorando um rapaz a pouco tempo, eu já havia visto ele uma vez mas não tinha tido contato além de um oi de longe. Esse rapaz estava morando nessa cidade e eu comecei a conversar com ele pelo MSN para perguntar sobre a cidade, as pessoas, enfim, eu nunca havia estado lá e pensava muito em desistir de ir. Ele estava em uma república e me convidou para ficar lá inicialmente até que eu conseguisse alugar um apartamento. Meus pais não tinham recursos e eu só poderia alugar e comprar os móveis depois do meu primeiro salário. Eu não tinha muita escolha e foi isso que eu fiz, sem ainda ter a certeza que ficaria mesmo por lá.

Chegando lá meus pais ficaram apenas quatro dias e me deixaram nessa república, eu que não havia nunca saído da cidade e mesmo buscando a solidão me senti muito desamparada. É difícil ficar em uma cidade que você não conhece ninguém, sem os seus amigos e familiares. Então esse rapaz (que namorava com a minha prima) me apresentou os amigos da república, me apresentou a cidade e rapidamente ele se tornou meu melhor amigo. Acontece minha gente, que esse rapaz,  é o meu rapaz.

Eu, que tinha ido sem nenhuma intenção para aquela cidade acabei me afeiçoando muito a ele. Inicialmente nós começamos a fazer tudo juntos, compras, cinema, lanchonete, piadas internas e muita zoeira. O que era para ser só uma amizade foi se tornando uma história de amor. Eu fiquei desnorteada! Como eu poderia ter me apaixonado pelo namorado da minha prima? Como é que isso poderia ter acontecido? Eu pensava, eu devo estar ficando louca, deve ser coisa da minha cabeça. Então eu me mudei para o meu apartamento, que demorou um pouco mais do que o previsto para ficar pronto.

Eu senti muita falta dele! Eu achava que aquela confusão de sentimentos poderiam se dissipar, mas não, eles só ficaram mais fortes. E ele começou a ir no meu apartamento com uma certa frequência, me ajudar a trocar as lâmpadas, instalar varal, chuveiro, etc. Todo dia tinha alguma coisa, ou eu inventava ou ele inventava. Mas nós não falávamos sobre isso… e eu achava que poderia ser coisa da minha cabeça e me sentindo muito culpada por ter me apaixonado.

Eu poderia dizer que foi um início mágico, que a força do amor superou todas as adversidades… mas não foi bem assim. O que eu lembro foi de muitas lágrimas no travesseiro, muita insegurança, me sentindo a pior das mulheres, uma víbora sem coração. Mas eu pensava, deixa eu com meu sentimento, uma hora ele passa. Vez ou outra nossas mãos se esbarravam por acaso, eu sentia uma certa conexão, mas mais uma vez achava que era impressão minha.

Até que um dia ele me deu um abraço e eu achei o abraço diferente. Daqueles meio demorados. Olhei pra ele e percebi uma angústia em seu olhar.. Ele me disse: terminei com a sua prima. Eu arregalei os olhos, perguntei por que, meio sem graça de perguntar. Ele disse que estava confuso e eu preferi não perguntar mais nada, fiquei com medo de me decepcionar. Vai que tinha outra pessoa e eu lá achando coisas que não tinham nada a ver?

Ficamos alguns dias sem nos falar e eu a 600km de distância já comecei a escutar os burburinhos da família. Minha irmã começou a questionar, meus pais mandavam mensagem, perguntavam se estávamos juntos. Nós não estávamos, mas todos achavam que sim e já foi o suficiente para que os julgamentos começassem. Eu fui crucificada! E ele também.

Nos encontramos e no meio de muita angústia ficamos juntos, mas decidimos que era melhor nos afastarmos que seria muito problemático essa relação. Tentamos ser racionais e esquecer, a tão pouco tempo nos conhecíamos! Poderíamos fazer isso. Mas não conseguimos. Ele foi embora, eu fiquei lá e pela primeira vez eu fiquei incomodada com a solidão. É engraçado, mas eu lembro que senti um pedacinho meu indo embora, ele me trazia muita paz fosse como fosse. O nosso contexto era muito complicado, mas estar com ele me trazia paz.

Lembro de olhar a janela, olhar a rua. Acordava, ia para o trabalho, voltava. Acordava, ia para o trabalho, voltava. Meus dias ficaram cinzas. Chorei bastante nessa época, eu tinha perdido a presença do meu melhor amigo. Até que ele me mandou uma mensagem depois de uma semana, perguntando se eu estava em casa e que queria conversar comigo. Chegou na minha casa com várias garrafinhas de keep cooler, começou a conversar nada com coisa alguma e começou a beber. Fui ao banheiro, quando voltei ele estava deitado! Dormindo! Eu, naquela angústia, pensando o que ele queria conversar comigo e ele dormiu no chão! Eu fiquei tão possessa de raiva, tão nervosa, irada! Como podia uma coisa daquelas, aquela falta de consideração! Ir na minha casa para cair de bêbado, era o que eu pensava. Chutei a perna dele pra ele acordar. Falei, vai embora daqui! Ele ficou meio assustado com minha raiva. Eu falei: Você tá brincando com a minha cara né? Eu aqui esperando para ver o que você vai falar comigo e você dorme? E comecei a chorar. Ele se desculpou, disse que não era essa a intenção. Eu perguntei o que ele então queria falar comigo ele disse que queria tentar. E então nós começamos a tentar.

O mais engraçado, é que eu sempre fui muito segura, mas eu me sentia muito insegura com ele no início. Ele era mais reservado, não era de ficar expondo seus sentimentos e eu acostumada com arrombos de paixão de outros relacionamentos ficava sem saber o que ele sentia. E quer saber? Foi eu quem o chamei para namorar! No dia 11 de agosto de 2010. Depois disso sofremos muito preconceito, fomos exilados por parte da família e eu recebia olhares tortos quando vinha até a minha cidade. Mas aí veio a Valentina e depois a Isabela e acho que as pessoas perceberam que não se tratava de um namorico qualquer, mas algo que esperamos que seja para a vida toda.

Nós não nos casamos, juntamos nossos trapinhos quando engravidei da Valentina. Alexandre é muito católico e eu, bom, eu não tenho religião. Acredito muito em Deus, mas tenho o meu jeito de acreditar. Ele quer casar na igreja e tudo mais, não acha certo casar somente no civil. Mas eu só caso quando receber um pedido formal para tal, viu amor? Aí eu penso se aceito.

Eu tentei colocar aqui um pouquinho de nós, mas acho que é impossível colocar em um post tanta cumplicidade. Em relacionamentos é normal vermos amor, paixão, mas cumplicidade e companheirismo é coisa difícil de achar. Mas eu tenho a bênção de dizer que decidi passar meus dias com meu melhor amigo. Sabe quando passa uma coisa legal na TV e você guarda para contar para um amigo? Sabe quando você anota um site interessante porque seu amigo vai achar legal? É para ele que eu faço tudo isso. E espero fazer toda a minha vida. E para finalizar, parabéns meu amor, conte comigo para qualquer coisa. Eu vejo você!

Ele. Dono do meu sorriso, dos meus suspiros, dos meus sonhos e do meu coração. Ele. Que acredita em mim quando eu ainda tenho dúvidas, que me acha a mulher mais forte e linda que existe. Que suporta meus esquecimentos, minhas neuras, minhas maluquices e manias. Ele. Que nunca desistiu de nós. Que me dá os melhores abraços de amor, que me deu os melhores presentes da minha vida. Ele, que me conhece tantas vezes melhor do que eu. Ele, meu melhor amigo, namorado, amante e companheiro! Com ele eu posso ser eu mesma, sempre me completa e nunca me pediu para desistir de nada. Eu sem ele não sei nem chorar! Agradecer é pouco, mas deixo aqui meu obrigada e meu eu te amo mais sincero! 

(Texto escrito para ele no Instagram)

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