O Pequeno Príncipe, Le Petit Prince: resumo comentado

O Pequeno Príncipe, meu livro favorito.

Muita gente não sabe, mas O Pequeno Príncipe é e sempre será meu livro favorito. Não importa quantos livros eu leia, ele é um livro que tem um espaço reservado em meu coração. O pequeno príncipe, ou Le Petit Prince é uma obra do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, publicada em 1943 nos Estados Unidos.O próprio autor foi quem o ilustrou. Eu não sou a única apaixonada nesse livro, segundo a Wikipédia, O Pequeno Príncipe é o livro em língua francesa que mais foi vendido no mundo, com cerca de 143 milhões de exemplares , e entre 400 a 500 edições. Também se trata da terceira obra literária (sendo a primeira a Bíblia  e a segunda o livro O Peregrino) mais traduzida no mundo, tendo sido publicado em 160 idiomas e dialetos.

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Quando alguém o lê pela primeira vez, ou ainda não leu pode a princípio pensar que é um livro infantil e de fato ele pode ser lido para uma criança. Mas o que mais me encanta nesse livro são as entrelinhas do livro. O Pequeno príncipe é repleto de poesia, filosofia e existencialismo.

Trata-se da história de um piloto que voando, tem uma pane no seu avião no “Deserto do Saara“. Tentando consertar seu avião, ele adormece. Ele então é acordado por um menino que o piloto diz ter “cabelos de ouro”, esse é o Pequeno Príncipe. Conforme a história passa o personagem descobre que o menino vive no asteroide B 612, e que só tem uma rosa que fala com ele, e que tem três vulcões (um deles está extinto). O autor conta um pouco da história dele, a história de como o principezinho havia chegado ao Deserto do Saara, fala de como são as crianças e de como são as pessoas grandes. O Pequeno Príncipe conta que saiu de seu planeta para explorar outros e que deixou a flor lá sozinha enquanto desbravava o universo.

Quando li a obra pela primeira vez, ficou muito claro para mim (interpretação minha, outras pessoas interpretaram de outra maneira) que a flor era uma mulher e que a história do Pequeno Príncipe era uma espécie de autobiografia. Em cada planeta o Pequeno Príncipe aprende algo com os ‘nativos’ e no fim percebe que ele já possuía o que estava buscando.

Separei meus trechos favoritos do livro e vou comentar um pouco deles, se você não leu espere que esses trechos despertem essa vontade.

“Quando o mistério é muito impressionante, a gente não ousa desobedecer.” Não é verdade? Tantas coisas acontecem em nossas vidas de forma misteriosa e  mudam tudo que pensávamos. Quando fiquei grávida da minha primeira filha essa frase me tocou muito.

“E depois, talvez com um pouco de melancolia, acrescentou ainda: – Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe…” Eu acredito que rigidez e inflexibilidade não é benéfica em nenhuma situação. Em minha vida tive que recuar ou mudar o curso tantas vezes que não poderia citar aqui, a verdade é que se não tivermos essa noção ficaremos presos onde estamos.

“Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galinho. Se é de roseira ou rabanete, podemos deixar que cresça à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido.” Retrato de nossa vida, ao nosso redor temos pessoas boas e más. Quando percebemos a maldade a melhor coisa a se fazer é se afastar e fazer uma prece. Se ficamos próximos de mais, tendemos a revidar e consequentemente nos contaminamos com a maldade alheia. Não podemos deixar que o outro define quem somos.

“Ora, havia sementes terríveis no planeta do principezinho: as sementes de baobá … O solo do planeta estava infestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.” Já tive alguns baobás na minha vida, são aquelas situações ou pessoas que quando você percebe a presença já racharam o seu planeta. Tenho certeza de que sabem do que estou falando. Existem baobás por todo lado!

“Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes! E um pouco mais tarde acrescentaste: Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol … – Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três? Mas o principezinho não respondeu.” Muito singelo! Eu tenho muita necessidade de solidão, já falei sobre isso algumas vezes no blog. Quando estamos tristes o contato com a natureza sempre nos acalma.

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“- Não acredito! As flores são fracas. ingênuas. Defendem-se como podem. Elas se julgam terríveis com os seus espinhos …” Nesse trecho o principezinho fica indignado quando o piloto diz que os espinhos são pura maldade das flores. Definição perfeita de uma mulher, nós nos sentimos tão fortes com nossos espinhos!

“- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: “Minha flor está lá, nalgum lugar. . . “ Toda pessoa única para nós, independente de quantas pessoas existem no mundo, saber da existência de alguém especial nos enche de paz. Mesmo que ela não esteja do nosso lado.

“Eu não sabia o que dizer. Sentia-me desajeitado. Não sabia como atingi-lo, onde encontrá-lo… É tão misterioso, o país das lágrimas !” Ah como é difícil encontrar uma pessoa em sua lágrimas! Tenho muita dificuldade porque quando estou triste e principalmente chorando quero ficar sozinha e por isso tenho a tendência a fazer o mesmo com os outros. Mas as pessoas são diferentes, por isso é tão misterioso alcançar a tristeza de alguém.

“Não tenho receio dos tigres, mas tenho horror das correntes de ar. Não terias acaso um pára-vento? “Horror das correntes de ar… Não é muito bom para uma planta, notara o principezinho. é bem complicada essa flor. . . “ Ah, as mulheres… sempre tão complicadas!

O pequeno principe

“Não a devia ter escutado – confessou-me um dia – não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar o perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso. A tal história das garras, que tanto me agastara, me devia ter enternecido. Confessou-me ainda: “Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava … Não devia jamais ter fugido. Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores ! Mas eu era jovem demais para saber amar.” Mas eu era jovem demais para saber amar. As pessoas fogem do amor porque tem medo de se perder, quando somos jovens não sabemos que é perdendo é que somos encontrados.

“Se eles são bem revolvidos, os vulcões queimam lentamente, regularmente, sem erupções. As erupções vulcânicas são como fagulhas de lareira. Na terra, nós somos muito pequenos para revolver os vulcões. Por isso é que nos causam tanto dano.” Os vulcões, todos nós temos vulcões dentro de nós. A verdade é que esperamos que eles entram em erupção para poder resolver a situação.

“- Eu fui uma tola, disse por fim. Peço-te perdão. Trata de ser feliz. A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado, inteiramente sem jeito, com a redoma no ar. Não podia compreender essa calma doçura. – É claro que eu te amo, disse-lhe a flor. Foi por minha culpa que não soubeste de nada. Isso não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Trata de ser feliz. . . Mas pode deixar em paz a redoma. Não preciso mais dela.” E quantas vezes não deixamos uma pessoa livre por amor? Em uma situação nos tornamos fortes, porque o amor verdadeiro sempre nos fortalece. As pessoas confundem apego com amor. O amor é um sentimento puro, deseja o bem mesmo quando esse bem não é estar conosco.

E ela mostrava ingenuamente seus quatro espinhos.

“- Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Vai-te embora! Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa …” Todas as mulheres são!

” – Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou o rei. A autoridade repousa sobre a razão.” Já escrevi sobre esse tema retomando para a educação infantil, mas ele pode ser destinado a todas as pessoas, principalmente em relacionamentos sejam eles amorosos ou familiares. Precisamos sempre nos lembrar de olhar com os olhos do outro.

“- Tu julgarás a ti mesmo, respondeu-lhe o rei. É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues julgar-te bem, eis um verdadeiro sábio.” Muito mais difícil! Como é fácil apontar o dedo e julgar os outros! Uma das coisas mais difíceis de se ter um filho é ver nele o nosso reflexo, porque na maioria das vezes não queremos olhar para nós mesmos.

“Porque, para os vaidosos, os outros homens são sempre admiradores.” As pessoas só veem aquilo que querem ver.

“Minha flor é efêmera, disse o principezinho, e não tem mais que quatro espinhos para defender-se do mundo ! E eu a deixei sozinha !” Tão triste esse trecho, é quando ele percebe que deixou sua flor sozinha no seu planeta.

“- As estrelas são todas iluminadas … Não será para que cada um possa um dia encontrar a sua?” Tão lindo e tão verdadeiro! Acredito muito!!

“Olha o meu planeta: está justamente em cima de nós … Mas como está longe !” Quantas vezes estamos tão perto, mas na verdade tão distantes? A teconologia faz isso, aproxima quem está longe, mas distancia quem está perto.

“Os homens? Eu creio que existem seis ou sete.

Vi-os há muitos anos. Mas não se pode nunca saber onde se encontram.

O vento os leva. Eles não tem raízes. Eles não gostam das raízes.” Como é difícil criar raízes. Eu tenho uma tendência nata à solidão e sempre luto contra isso. É triste ser uma pessoa solta, já fui e não quer ser novamente.

No meu planeta eu tinha uma flor: -e era sempre ela que falava primeiro. Mulheres!

“Depois, refletiu ainda: “Eu me julgava rico de uma flor sem igual, e é apenas uma rosa comum que eu possuo. Uma rosa e três vulcões que me dão pelo joelho, um dos quais extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito grande. . .” E, deitado na relva, ele chorou.” Esse é um momento de muita tristeza para o principezinho, ele de repente olha o que tem e acha que foi ingênuo de achar que tinha muito. Mas a verdade é que ele tinha muito, mas ainda não tinha dado conta disso.

“Que quer dizer “cativar”?

– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços.

– Criar laços?

Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

Começo a compreender, disse o principezinho.

Existe uma flor. . . eu creio que ela me cativou …

– Minha vida é monótona. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo?

Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste. Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo …

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

– Por favor… cativa-me disse ela.

– A gente só conhece bem as coisas que cativou.

Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.

É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto …

Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração … É preciso ritos.

– Que é um rito? perguntou o principezinho.

– É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa, É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas.” Essa sequência sem dúvida é a mais conhecida da obra, nada do que eu disser aqui conseguirá demonstrar o quanto me emociono com esse trecho. Podemos aprender muito sobre nossa vida se levarmos essa belíssima mensagem para nossa vida.

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– Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém.

‘- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.” O pequeno príncipe argumenta dessa maneira apaixonada para as outras rosas que viu, ali ele percebe que existe uma única e especial para ele.

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“- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.” Frase clássica que retrata a filosofia do livro: o essencial sentimos.

“- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

– Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

– Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…” Esse trecho remete ao tempo que dedicamos às pessoas que amamos. Atualmente tenho pensado muito na minha relação com a Valentina e esse trecho traduz o que sinto. Sou eternamente responsável por ela, ela é minha rosa e foi o tempo que “perdi” com ela que a fez tão importante. Ela pra mim e eu pra ela.

“Nunca estamos contentes onde estamos, disse o guarda-chaves.” Que verdade! Mas eu não acho essa informação totalmente negativa. É verdade que devemos ter gratidão por tudo temos e somos, mas acho que é essa insatisfação humana que nos movimento e nos faz sair da nossa zona de conforto.

“- A água pode ser boa para o coração …” Água purifica, seja para hidratar, nadar  ou comtemplar.

“O que tanto me comove nesse príncipe adormecido é sua fidelidade a uma flor; é a imagem de uma rosa que brilha nele como a chama de uma lâmpada, mesmo quando dorme. . . ” Sabe o que eu acho? Que as pessoas sempre carregam um amor no olhar!

“- Os homens, disse o principezinho, se enfurnam nos rápidos, mas não sabem o que procuram. Então eles se agitam, ficam rodando à toa …

E acrescentou:

– E isso não adianta …

Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim … e não encontram o que procuram …

– Não encontram, respondi…

E no entanto o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d’água …” Um pouco dessa nossa busca incessante quando quase todas as vezes o que procuramos está diante de nós.

“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar…” Ainda assim, prefiro me deixar cativar.

“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas!” Assim é nossa vida. Quando olhamos para uma pessoa que alcançou seu objetivo não pensamos em quantas vezes ela caiu e se levantou. Somos todos imediatistas e queremos resultados sem esforços. Mas resultados verdadeiros sem o devida doação de tempo e trabalho não existe.

Termino aqui com o resumo comentado dessa obra magnífica. Espero que se você não tenha lido queira ler imediatamente, e se você como eu leu, queira ler novamente.

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