Oito meses de Isabela

Oito meses de muita beleza!

É assim que eu me sinto. Desde que Isabela chegou o mundo ficou mais belo e eu pude ver as coisas com mais clareza. Desde sua gestação e depois seu nascimento fui mais consciente e pude ser protagonista de todos os momentos. Quando ela nasceu e eu a peguei no colo pela primeira vez, não tive medo de não saber segurá-la, de como colocá-la para amamentar ou até mesmo de dar um banho. Também não fiquei contando os dias para o umbigo cair. Isabela me fez mais mulher.

Claro que ainda trago (e sempre trarei) muitas incertezas como mãe e inúmeras vezes não sei o que fazer. Mas depois que Isabela chegou eu sou muito mais segura das minhas decisões e escolhas. Recebo a voz do pediatra e das outras pessoas como indicações, não como uma verdade absoluta. Esses oito meses não foram apenas para conhecer Isabela, foram também de muito autoconhecimento; e se me permitem dizer, principalmente de autoaceitação. Eu, perfeccionista que sou, sempre quis ser uma mãe perfeita para a Valentina, sempre muito dura comigo, não aceitava vírgulas em meu comportamento. Não aceitava relaxar e nunca dormia se a Valentina estivesse acordada. Se eu me distraía era como se eu estivesse sendo relapsa e uma péssima mãe. Quando escrevi o texto Aprenda a ver o mundo com um bebê no colo, escrevi ele principalmente para mim. Isabela em oito meses sem saber me ensinou a integrar o papel de mãe em todos os outros papéis que represento em minha vida. Aprendo diariamente que posso ser mulher, mãe, profissional, esposa, filha, é claro que vez ou outra um papel se sobressai, mas eu não preciso abandoná-los totalmente para ser mãe.

Com oito meses Isabela possui um olhar que não é de uma criança que está a tão pouco tempo na terra. Ela me olha como se me conhecesse toda a minha vida, ela parece saber dos meus medos, anseios e projetos. Seu sorriso sempre aberto e franco consegue iluminar uma distância que seu pequeno corpo não conseguiria chegar. Ela encosta em mim como quem encosta em uma amiga de longa data. Se ela dorme no bebê conforto e eu estou do lado, sempre coloca sua mão sobre a minha, quando durmo com ela acorda muitas vezes com sua cabecinha em cima da minha barriga e seus bracinhos me abraçando. Ela tem apenas oito meses, mas digo sem medo de errar que ela é uma menininha muito profunda. Quando penso que cogitei não engravidar, penso que o mundo também perderia uma pessoa como ela. Me encho de alegria por ter decidido trazer um outro ser ao mundo tão especial como ela. O mundo precisa de mais filhos que foram queridos, desejados e muito amados. Isabela sem dúvida é um desses filhos! Sei que ela trará muitas alegrias não só para mim, mas a todos que passarem por sua vida. Ela sempre responde um sorriso com outro e consegue arrancar sorriso até dos mais carrancudos.

Vejo muito dela em mim. É tranquila, mas não é muito fã de toques (exceto das pessoas muito próximas). Ainda assim, mesmo das pessoas próximas se irrita com muitos beijos e abraços. Possui meus traços, a cor do meu cabelo, a  cor da minha pele e infelizmente minhas alergias.

O desenvolvimento motor e cognitivo de Isabela deu um salto nesse último mês. Com oito meses Isabela reconhece sem nenhuma dúvida seu nome, faz o movimento de tchau (bem descoordenado claro, mas balança as mãozinhas ao ouvir tchaaaaau), bate palminhas ao ouvir a canção parabéns, engatinha (quando quer), mas prefere se arrastar. Faz “bruuuuuu” com a boquinha respondendo quando alguém faz também. Consegue se por na posição sentada sozinha quando está deitada e agora já não tenho medo dela cair quando está sentada. Fica em pé e sobe em todas as coisas como sofá e cadeiras, dar banho nela é uma grande batalha, já que quer ficar em pé na banheira também. Por isso aposentei a banheira e agora estou dando banho no balde, geralmente dou com a irmã e isso facilitou muito minha vida. Diz “Mam” de forma bem consciente me chamando e diz “dá” quando quer alguma coisa. Demonstra uma irritabilidade SEVERA quando algo é tirado de suas mãos. Já consegue usar o movimento de pinça para pegar coisas pequenas, o que me fez retirar todos os brinquedos menores da Valentina da casa, mas infelizmente outras coisas aparecem, como a borrachinha de cabelo que a Valentina tirou do cabelo e jogou no tapete. Estou tentando conscientizar a Valentina disso, mas é muito difícil.

Felizmente está comendo bem! Quando ao sono… tem acordado várias vezes a noite e quando não estou com ela na cama chora desesperadamente. Provavelmente trata-se da crise ansiedade de separação, falarei em breve sobre isso em um post de forma detalhada. Durante o dia tira dois ou três cochilos, depende de quanto ela dorme depois do almoço.

Finalizo esse post com um texto que escrevi no Instagram:

Quando ela nasceu, ela seria a filha do meio. Hoje ela é a caçulinha, minha rapinha do tacho. Isabela chegou dividindo um mundo que nunca foi só dela. Não teve escolha, divide a mãe, o pai, o tempo e o quarto. Usa as roupas que eram da irmã, os brinquedos nem sempre são adequados à sua idade. Os musicais infantis não são constantes em nossa casa, já que a preferência da irmã é por filmes de princesas. Mas Isabela ganhou muito, e sendo sincera, nunca perdeu nada já que ela nunca foi única para perder. Ela ganhou uma irmã que a venera, ganhou um pai que não é mais de primeira viagem e uma mãe mais serena e plena. Essa mãe que aqui escreve aprendeu a amar sem sufocar, aprendeu a errar e se aceitar. Essa mãe conseguiu entender a leveza do amor e diariamente trabalha o desprendimento e o desapego, sem que isso seja motivo para dor. Porque a verdade é que nossos filhos não são nossos, eles são empréstimos de Deus para colorir nossas vidas e para nos ensinar a ser pessoas melhores.

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