Por que não devo bater no meu filho? (Parte 3)

Por que não bater? Alternativas à punição corporal

bater 3

Por

Carolina Faria Arantes

CRP 34041/04

Mestre em Psicologia da Saúde – Processos Cognitivos / UFU

Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental / UFU

Pesquisadora na área da Prevenção e Tratamento de crianças, adolescentes e orientação de pais.

Psicoterapeuta, professora e supervisora no Instituto Integrare – Uberlândia/MG

Contato: carolfariaarantes@gmail.com ou carolina@integraretcc.com.br

Site: www.psicologauberlandia.com

Página Facebook: Psicóloga Carolina Arantes

Instagram: @psico.carolina.arantes

Hoje é o último dia da série hoje: “Por que não devo bater no meu filho”.  Nos posts anteriores, foi dito que nós vemos muitos casos de intolerância à frustração e desrespeito a limites e que é  essencial para o desenvolvimento saudável da criança que ela entenda que alguns comportamentos não são corretos ou aceitos. Muitos pais utilizam a punição corporal para esse fim, seguindo um modelo de educação aprendido. Entretanto, a punição corporal além de não ser indicada devido às inúmeras consequências negativas, ela também é ineficaz. Foi explicado também porque bater não educa e quais são as consequências da punição corporal e hoje finalizo indicando alternativas à punição corporal.

Alternativas à punição corporal: como educar meu filho?

 Não é de se espantar que após séculos de uma cultura que vê na punição corporal o único meio eficaz de educação, os pais se vejam sem saber o que fazer para educar seus filhos. Mas existem sim condutas adequadas e eficazes, frutos de estudos bem delineados, que podem colaborar muito nessa difícil tarefa que é educar crianças.

Diálogo e consequências lógicas:

O diálogo é requisito fundamental para um bom relacionamento familiar. É preciso apresentar regras claras, mostrar como você quer que seu filho se comporte e o que ganhará com isso. Ex: “Filho, você deve guardar seus brinquedos todas as vezes que usar. Portanto, pegue-os e coloque naquela caixa que está do lado do armário. Assim você deixará a mamãe/papai muito feliz e poderemos assistir a um filme juntos” / “Se não guardar os brinquedos, mamãe/papai não te levará na loja amanhã”. É essencial que os pais deem as consequências combinadas e que tomem muito cuidado para que não haja um exagero na hora de apresentar essas consequências. Isto é, prometer que levará a criança ao cinema, mas não olhar se o horário do filme é viável poderá impedir que a promessa seja cumprida; dizer que se a criança não guardar o brinquedo ficará um mês sem comer chocolate pode ser uma consequência muito drástica e difícil de ser executada.

Ignorar o comportamento:

Isso pode ser utilizado com comportamentos de birra, mas nunca para um comportamento destrutivo. Então, se a criança está chorando e você tem certeza de que esse choro tem como objetivo fazer com que você ceda e lhe dê o que ela deseja (Ex: um doce, um brinquedo), ignore e distraia a criança com outra coisa. Essa alternativa tem bons resultados em longo prazo, pois a criança tenderá a parar de emitir o comportamento ignorado, pois não obteve nenhum benefício através dele.

Retirar a criança do lugar e a isolar em outro ambiente:

Não deve ser utilizado com crianças menores que dois anos. Diante de um comportamento inadequado (Ex: bater no irmão, xingar os pais, quebrar objetos propositalmente), os pais podem levar o filho para um ambiente sem nenhum atrativo e deixa-lo sozinho por poucos minutos (em média 5 minutos). Deve ficar claro porque a criança está recebendo esse castigo. Ex. Dizer firmemente: “Você quebrou copo que a mamãe/papai te entregou porque não queria beber o suco. Isso é muito ruim e me deixou muito chateado (a). Não deve acontecer de novo. Por isso, você ficará aqui de castigo e daqui a pouco venho te tirar”.

– Mostrar e recompensar comportamentos adequados:

Como disse anteriormente, nenhum comportamento acontece sem um motivo. Então, analise e entenda o porquê de sua criança estar agindo de determinada forma. Um comportamento sempre tem um objetivo a ser alcançado e esse objetivo é sempre algo importante. Procure a ajuda de um psicólogo, se for preciso, mas entenda a função que um comportamento tem na vida de seu filho e procure ensiná-la que, através de comportamentos mais adequados, ela consegue ter o que ela necessita, mas não através desse outro comportamento indesejado. Recompense, elogie uma atitude adequada da criança e diga pra ela o quanto ela te deixou feliz daquela forma. Seja sempre amável, afetuoso, firme. Se interesse e participe da vida do seu filho.

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One thought on “Por que não devo bater no meu filho? (Parte 3)

  1. Sarah camila

    Tenho um filho de 2 anos, eu exército bastante minha paciência, mas quando estou muito cansada por ex: a noite quando já estou totalmente esgotada ele faz birra chora, eu acabo dando umas palmadas. Sim eu choro depois que ele dorme, pois eu não suporto fazer isso, mas eu chego nesse ponto pelo cansaço, não resolve ele continua . Quero muito colocar em prática outras maneiras de lidar com isso . Amo demais o meu filho e não quero de jeito nenhum que ele sofra por isso.

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