Posso ser mãe e ser outras coisas também?

Eu não acho difícil ser mãe.

Nunca achei! Mas acho difícil ser mãe e ser outras coisas também. E sempre chega aquele momento em que queremos sim sermos outras coisas. Esse momento pode chegar rápido, ou demorar um pouco mais, mas ele sempre chega um dia para uma mulher. Com a Valentina ele demorou mais para chegar, eu esqueci quem eu era. Com a Isabela vi esse momento batendo em minha porta rápido demais. Eu me senti muito culpada por isso, e tentei sufocar esse sentimento, como se eu tivesse que ser exclusivamente mãe. Tem quase quatro anos que estou em uma fila preferencial, o que me leva a crer que não se trata da Isabela, mas do somatório dos anos.

Penso muito nas mães de 50, 100 anos atrás. Acho sim que em muitas situações, era mais fácil ser mãe do que hoje. Explico por que. Conversando com a minha sogra, a mesma me relatou que não estudava e nem se preocupada com o sono ou a alimentação do bebê, ela apenas vivia. A maioria das mulheres não tinham grandes ambições, de certa maneira eram educadas para isso, e eram felizes assim. Não estou entrando no mérito de ser certo ou errado, falo da realidade. Hoje a mulher quer fazer muitas coisas! Queremos trabalhar, queremos assistir séries, queremos escrever, queremos ler, queremos cuidar um pouco daquele braço de gelatina, queremos sair com as amigas, queremos sair com os maridos, queremos saber sobre moda e maquiagem e queremos ser boas mães. Acima de tudo, quero ser boa mãe, mas repito, quero ser outras coisas também.

Sinto ultimamente que o meu dia não tem 24 horas. Não tenho nem o dia e nem a madrugada para mim, já que as meninas acordam durante a noite também. Isso me faz sentir falta de mim às vezes. Até na hora do banho, Valentina está lá comigo. Na hora de dormir, uma das duas sempre estão lá. E como é sofrido falar isso em voz alta! Mas sinto falta de mim. Sinto falta de ler, de escrever, e até do silêncio. E sempre tem alguém para te lembrar que passa tudo rápido e que você vai sentir falta.Veja bem, eu sei disso. Olho a Valentina e vejo o quanto passa rápido, já que em um piscar de olhos era ela quem estava no meu colo sendo amamentada. Mas isso não muda o fato de que sinto sim falta de mim, de que às vezes queria muito ir ao shopping sozinha e sem pressa ler um livro na cafeteria enquanto saboreio um café tranquilamente.

Sou uma boa mãe, erro às vezes, mas sempre tentando acertar. Assumo que sou uma dona de casa medíocre, uma amiga ausente e estou lutando muito para ser uma esposa melhor. É que não dá pra ser boa em todas as coisas. Mas é aquela máxima, uma mulher quer sempre ser perfeita em tudo! Algumas podem fingir que não, mas secretamente estão bolando um plano mental para dar conta de tudo.

É estranho esse sentimento, nos cobramos muito mais do que qualquer outra pessoa, parece que até falar sobre isso é feio. Temos medo de sermos incompreendidas e de que as pessoas pensem que não gostamos de sermos mães. E eu estou aqui para dizer para você que tem esse sentimento, que você não está sozinha. Acredite, muitas mães escondem isso. Ser mãe sem dúvidas é o meu melhor papel, é o que eu faço de melhor e que me sinto mais completa. Mas sinto sim falta de ser um pouco mais, e acho que nenhuma mãe deve ser crucificada por isso. Eu não estou falando de trabalhar fora de casa, sei que muitas mulheres se sentem plenas cuidando do seu lar, falo de algo muito mais profundo, falo da essência feminina que está lá guardada. É por isso que acho que devemos ter muito cuidado com julgamentos, que por incrível que pareça sempre partem de outras mães. Tenha em mente que não importa quão complicada seja uma situação, sempre existem dois (ou vários) lados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>