Saltos de desenvolvimento: fases que nos tiram o sono!

Saltos de desenvolvimento:

O que está acontecendo com o meu bebê?

Você pode não saber o que exatamente o que é um salto de desenvolvimento, mas certamente já vivenciou algum deles. De repente o bebê parece estar irritado, não se ajeita no colo, no carrinho, parece estar descontente. Mama mais do que o normal, e o sono fica muito alterado, muitas vezes começa a acordar de hora em hora. Depois de um determinado tempo, o bebê volta ao seu estado “normal” e tem em seu repertório de comportamentos um novo aprendizado. É que o bebê não se desenvolve em ritmo constante, seu desenvolvimento é muito irregular. Não se surpreenda se em um dia o bebê mal consegue se arrastar e no outro começa a engatinhar.

Segundo o Guia do bebê:

Saltos de desenvolvimento são aquisições de habilidades funcionais específicas que ocorrem em determinados períodos. O ritmo de desenvolvimento não é constante: há alguns períodos de desenvolvimento acelerado e outros onde há uma desaceleração.

Muitas alterações cognitivas acontecem, e o bebê se sente perdido. Ele se sente desorganizado (mesmo que não faça ideia do que seja isso), porque seus comportamentos não conseguem acompanhar sua maturidade neurológica, e vice-versa. Um exemplo: Você percebe que o bebê já quer pegar aquele objeto, mas não sabe como fazer. É por isso que quando o salto de desenvolvimento acontece, o bebê fica mais apegado à mãe, ele se sente angustiado e a mãe é o seu objeto de conforto e segurança. Como mãe, eu sei que nem sempre é fácil, mas podemos ajudar o bebê a passar por esses momentos com muito carinho e amor. Tenha em mente que quando você acaricia o seu filho, você faz com que o organismo do seu filhote libere ocitocina e endorfina, que são substâncias que geram prazer e bem estar. Tente se colocar no lugar do bebê, lembre de quando você estava aprendendo a ler, escrever, dirigir; se por um lado ficamos contentes com a nova habilidade, também nos sentimos angustiados com a nova aquisição. O bebê nem ao menos consegue processar isso, por isso, é tão importante ter empatia pela criança.

Essas aquisições que precedem o salto de desenvolvimento abrangem aspectos cognitivos e motores. O bebê começa a fazer coisas que não fazia antes como sorrir, rolar, engatinhar, sentar, etc.

Sempre desconfio que a Isabela está em um salto de desenvolvimento porque acho que não tenho leite o suficiente. Veja bem, eu tenho hiperlactação, e ainda assim acho que não tenho leite! Como ela solicita mais o seio, depois que a crise passa sempre fico com o seio muito cheio, e por vezes chegam a engurgitar (comumente chamados de empedrados). Além disso, percebo que o sono fica muito alterado, é visível a diferença quando o período do salto de desenvolvimento acaba. Algumas pessoas (geralmente leigas) afirmam: “Ah, mas então o bebê fica com o sono alterado durante todo o primeiro ano”. Sim, ele fica. Mas obviamente existem diferenças de temperamento que faz com que os saltos de desenvolvimento afete ou não uma criança. É importante ressaltar que os saltos de desenvolvimento não cessam na primeira infância, até o fim da adolescência os indivíduos também passam por vários desses picos, mas com o passar dos anos eles afetam em menor grau o seu comportamento.

Certa variação entre crianças é esperada, mas uma cronologia observada experimentalmente dos períodos de saltos de desenvolvimento é a seguinte:

Saltos de desenvolvimento

5 semanas (1 mês): a visão do bebê melhora, ele consegue ver padrões em branco e preto, passa a se interessar mais pelo ambiente que o rodeia e consegue seguir objetos brevemente com os olhos. Passa ficar acordado por períodos um pouco maiores (cerca de 1 hora ou pouco mais entre as sonecas). É também nessa época que bebê começa a chorar com lágrimas e sorrir pela primeira vez ou com mais frequência do que antes.

8 semanas (quase 2 meses): diferenças nos sons, cheiros e sabores ficam mais perceptíveis. Ele percebe que as mãos e os pés pertencem ao corpo e começa a tentar controlar estes membros. O bebê começa também a experimentar com sua voz. É também nessa fase que o bebê começa a mostrar um pouco de sua personalidade: é agora que os pais começam a reparar quais coisas, cores e sons o bebê gosta mais. Depois desse salto o bebê vai poder virar a cabeça na direção de algo interessante e emitir sons conscientemente. Todas essas novas experiências trazem insegurança ao bebê que provavelmente procura mais o conforto do peito da mãe. Isso pode deixar a mãe preocupada se produz leite materno suficiente, o que não procede, já que a produção se ajusta à demanda (ver abaixo também sobre picos de crescimento).

12 semanas (quase 3 meses): o bebê descobre mais nuances da vida: nessa idade o bebê já pode enxergar todo um cômodo da casa, vira-se quando ouve sons altos, e consegue juntar suas mãos. Vai observar e mexer no rosto e cabelo dos pais e vai perceber que pode gritar. Depois do salto o bebê praticamente não vai mais precisar de apoio para manter a cabeça erguida. Como nos outros saltos, os pais são o porto seguro do mundo do bebê e ele se apoia nisso. Ele pode começar a reagir de maneira diferente fora de casa ou no colo de um estranho. Ao mesmo tempo que o bebê tem uma grande curiosidade em reparar no mundo que o rodeia, ele também é muito sensível às novidades e por isso se sente mais confortável e seguro nos braços dos pais.

19 semanas (4 meses e meio): por volta da 14ª. até a 17ª. semanas o bebê pode parecer mais ‘impaciente’. Esse é um dos saltos mais longos: dura cerca de 4 semanas, podendo porém se estender por até 6 semanas. O bebê chora mais, apresenta mudanças extremas de temperamento e quer mais atenção e colo. Consegue alcançar e pegar um brinquedo, sacudi-lo e colocá-lo na boca, passá-lo de uma mão para outra. Pode ganhar o primeiro dente. Os sons que o bebê emite se tornam mais nítidos e complexos, consegue fazer alguns sons como ‘baba’, ‘dada’. Tudo cheira, soa e tem gosto diferente agora. Dorme menos. Estranha as pessoas e busca maior contato corporal quando está sendo amamentado. Depois desse salto o bebê vai poder virar de costas e de barriga para baixo, e vice-versa, se arrastar pra frente ou pra trás, olhar atentamente para imagens num livro; reagir ao ver seu reflexo no espelho e reconhecer seu próprio nome.

Esse é um dos saltos de desenvolvimento mais significativos e em que um maior número de mães costuma relatar alterações no sono. Provavelmente porque o padrão de sono parecia entrar num ritmo desde que o bebê nasceu, e essa alteração é vista como uma ‘regressão’, na qual o bebê tende a acordar bastante por algumas semanas enquanto está trabalhando no salto. E uma vez que esse salto está completo há somente 1 ou 2 semanas antes de começar a trabalhar no próximo (das 26 semanas), é um longo período de sono ruim e bebê irritado nesse estágio da vida.

26 semanas (6 meses): Já na 23ª semana o bebê parece se tornar mais ‘difícil’. Ele busca maior contato corporal durante as brincadeiras. O bebê já consegue coordenar os movimentos dos braços e pernas com o resto do corpo. Senta sem apoio e põe objetos na boca. Nessa idade ele começa a entender que as coisas podem ficar dentro, fora, em cima, embaixo, atrás, na frente, e usa isso em suas brincadeiras. Ele passa a entender que quando a mamãe anda, ela vai se afastar e isso o assusta, então reclama quando a mãe sai de perto. Depois desse salto o bebê vai ficar interessado em explorar a casa, armários, gavetas, achar etiquetas, levantar tapetes para olhar o que tem embaixo. Ele se vira para prestar atenção nas vozes, consegue imitar alguns sons, rola bem em ambas direções e começa a se apoiar em algo para ficar de pé. Adquire maturidade para receber alimentos sólidos. Essa fase pode durar cerca de 4-5 semanas.

30 semanas (7 meses): o bebê tenta se jogar adiante para alcançar objetos, bate um objeto em outro. Pode começar a engatinhar, a falar algumas sílabas e entende melhor o conceito de permanência das coisas. Pode fazer sinal de tchau. Sente ansiedade com estranhos.

37 semanas (8 meses e meio): o bebê fica ‘temperamental’, tem mudanças frequentes em seu humor, de alegre para agressivo e vice-versa, ou de exageradamente amoroso para ataques de raiva em questão de momentos. Chora com mais frequência. Quer ter mais atividades e protesta se não as tem! Não quer que troquem sua fralda, chupa seus dedos. Protesta quando o contato corporal é interrompido. Dorme menos, tem menos apetite, movimenta-se menos e “fala” menos. Às vezes senta-se quieto e sonha acordado. O bebê agora começa a explorar as coisas de uma forma mais metódica. Passa a entender que as coisas podem ser classificadas, por exemplo, sabe o que é comida e o que é animal, seja ao vivo ou em um livro. Fala “mamá” e”papá” sem distinção de quem é a mãe ou o pai. Engatinha, aponta objetos, procura objetos escondidos, usa o polegar e dedo indicador para segurar objetos.

46 semanas (quase 11 meses): o bebê percebe que existe uma ordem nas coisas e atitudes, por exemplo, que se colocam sapatos nos pés e brinquedos nos armários. Ganha então uma consciência de suas próprias atitudes. Ao invés de separar objetos, passa a juntá-los. Depois desse salto o bebê vai poder apontar para algo ou pessoa a pedido seu, vai querer ‘falar’ no telefone e enfiar chaves nos buracos de chave, procurar algo que você escondeu, tentar tirar a própria roupa. Fala “mamá” e “papá” para a mãe ou pai corretamente. Levanta-se por alguns segundos, movimenta-se mais, entende o “não” e instruções simples.

55 semanas (quase 13 meses): geralmente a fase em que o bebê começa a andar – um salto no desenvolvimento bem significativo. Fala mais palavras do que “mama” e “papa”. Rabisca com giz.

64 semanas (quase 15 meses): o bebê combina palavras e gestos para expressar o que precisa, come com as mãos, esvazia recipientes, coloca tampas nos recipientes apropriados, imita as pessoas, explora tudo que estiver à sua frente, inicia jogos, aponta partes do corpo quando perguntado, responde a algumas instruções (por exemplo, “me dá um beijo”), usa colher e garfo, empurra e puxa brinquedos enquanto anda, joga bola, anda de marcha a ré.

75 semanas (17 meses): o bebê usa cerca de 6 palavras regularmente, gosta de jogos de imitação, gosta de esconder brinquedos, alimenta uma boneca, joga bola, dança, separa brinquedos por cor, formato e tamanho. Olha livros sozinho e rabisca bem.¹

¹ Guia do bebê UOL

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