Super mulher: Eu não quero ser uma!

O que é ser uma super mulher?

Quando a Valentina tinha 6 meses eu estava esgotada. Ela acordava 6 horas da manhã, mal cochilava o dia todo. Quando chegava perto das 19 horas eu começava a contagem regressiva para ela dormir e eu descansar um pouco. E eu me sentia culpada por isso. Acho que eu queria ser a super mulher. A que nunca se cansa, nunca reclama, está sempre bem humorada e ainda bem vestida. Hoje, Isabela com quase 6 meses, duas coisas mudaram. Mesmo com duas filhas e com um tempo bem reduzido eu me me sinto mais disposta e consigo fazer muito mais coisas. É que vamos ficando mais resistentes e dormir poucas horas não é mais tão difícil. Aprendi a me organizar mais e sei lidar melhor com a frustração. A segunda e principal mudança, foi que aprendi a me aceitar. Já não quero ser uma mãe perfeita e sei que todos os dias descubro uma nova falha. Já não me culpo por estar cansada no final do dia, nem por constatar com tristeza que não vou conseguir ler (mais uma vez). Hoje, sei que sou mãe, mas também tenho minhas necessidades pessoais. Tudo bem querer silêncio de vez em quando, tudo bem não gostar de interromper o almoço para trocar fralda, tudo bem querer fugir para as montanhas vez ou outra. Nada disso muda o fato de que eu amo as minhas filhas e não queria ter outra vida. Não é preciso ser uma super mulher para ser uma boa mãe.

Tem aquele dia que é fácil ser mãe. Você acorda bem, ou porque a noite foi tranquila ou porque você como que por mágica conseguiu ficar bem com as poucas horas de sono. Nenhuma birra para trocar roupa, nenhuma reclamação para escovar os dentes. Até os cochilos estão fluindo bem, o que te permitiu folhear uma revista. Tudo parece encaixar bem! Mas esses dias são muito raros, e você precisa aprender a lidar com os outros dias. Aquele dia que você não dormiu mais que duas horas e precisa aguentar mais 12 horas acordada, cochilando a cada piscar de olhos. São esses dias que fazem parte do seu cotidiano. Esses dias raros, acontecem quando muito uma vez por mês. Não dá para ser feliz somente nesses dias. É preciso aprender a colocar um sorriso no rosto e encarar tudo com mais leveza, mesmo quando a casa (e até a sua cabeça) está um caos. Quando tudo está agitado do lado de fora, você precisa acalmar do lado de dentro. Quando a impaciência começa a falar mais alto, é preciso falar para si mesma que você tem controle de suas emoções. Esses dias mais difíceis são o dia a dia de toda mãe, não se engane com mães de revistas. A felicidade não é algo que está do lado de fora. Às vezes temos tanto, mas não nos sentimos preenchidas. Por outro lado, à vezes temos tão pouco e nos sentimos cheias. A diferença está no modo como encaramos a vida.

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