Tem dias…

Tem dias

Tem dias que eu acordo com saudade do cheiro de recém-nascido, tem dias que acordo com saudade do cheiro da liberdade. Aquela desprendida, sem ter hora para chegar ou sair. Sem se preocupar com rotina ou se o tempo vai esfriar. Existe algo de errado nisso? Não. Seres humanos vivem em um eterno dilema, são saudosistas, vivem entre a cruz e a espada de uma certeza de que cada passo a frente é algo que deixamos para trás. Para uma nova porta abrir fechamos outra. Temo não conseguir colocar em palavras, mas não somos robôs, sempre teremos anseios incompatíveis com a realidade sem que com isso queiramos viver em outro espaço temporal. Complexo não é? Acostume-se, o ser humano é complexo. Só não se sinta mal em querer dormir ou acordar… Quem vos fala é alguém que verdadeiramente gosta de ser mãe, que se sente à vontade com esse papel. Mas não posso negar que às vezes eu sinto falta de mim.

Eu gosto dessa foto. Estávamos prontas para brindar sei lá o que. Mas ela transmite uma leveza que certamente não conseguiria retratar agora. Essa foto é para mim um símbolo de que eu sou mais do que mãe. Em determinadas fases um papel fica mais visível, é claro que quando temos bebês não sobra muito espaço para outros papéis. Mas gosto de olhar para essa foto porque ela me assegura de que eu posso ser muitas em uma só, sem que isso desqualifique em nada minha certeza de que sou uma boa mãe.

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