Teoria do desenvolvimento moral de Lawrence Kohlberg

Teoria do desenvolvimento moral

Segundo a Wikipedia,

Kohlberg foi professor na Universidade de Chicago, bem como na Universidade Harvard. Especializou-se na investigação sobre educação e argumentação moral, sendo mais conhecido pela sua teoria dos níveis de desenvolvimento moral. Muito influenciado pela teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget, o trabalho de Kohlberg refletiu e desenvolveu as ideias de seu predecessor, ao mesmo tempo criando um novo campo na psicologia: “desenvolvimento moral“.

Kohlberg, em sua teoria do desenvolvimento moral, propôs a existência de seis estágios de raciocínio moral, os quais poderiam ser agrupados em três níveis.

  • Pré-convencional

Típica da maioria das crianças até aos 9 anos, alguns adolescentes e adultos.

Esse nível é subdividido em dois estágios. Em todos eles, a premissa é que o indivíduo julgar o certo e o errado apoiando-se apenas e seus interesses próprios, incluindo nessa questão o medo de ser punido. No Estágio 1, também denominado por Kohlbert de Estágio da Moralidade Heterônoma, o sujeito obedece às normas sociais por medo do castigo que pode vir a receber. No Estágio 2, o indivíduo apresenta uma moralidade egocêntrica e segue as normas pensando apenas em seus interesses próprios, também denominado de Estágio do Individualismo.

  • Convencional

Típica da maioria dos adolescentes e adultos.

→ O Nível Convencional compreende o Estágios 3 e 4. Em poucas palavras, os indivíduos que estão nesse nível moral entendem que uma ação moral correta é aquela baseada nas convenções e regras” sociais definidas por pessoas reconhecidas como autoridades ou por instituições reconhecidas socialmente. Dessa maneira, o indivíduo toma suas decisões morais baseadas nas expectativas que o grupo tem sobre ele e toma como referência as regras do grupo social que está inserido. O Estágio 3 também é chamado de “Bom menino” e caracteriza-se pela necessidade de cumprir com aquilo que as pessoas esperam (ser um bom filho, bom marido). No Estágio 4, tem uma perspectiva moral que baseia-se na manutenção da ordem social daquilo que foi proposta pelas autoridades. Ambos os estágios partem do princípio de que os interesses coletivos são mais importantes do que os individuais.

  • Pós-Convencional

Apenas uma minoria de adultos e, em geral, só depois dos 20-25 anos.

O nível Pós-Convencional possui os estágios 5 e 6 na escala de moralidade de Kohlberg. Nesse nível, a despeito de convenções e leis, o indivíduo entende que o correto é agir conforme princípios universais que são pautados pela reciprocidade e igualdade. A moral e a ética se sobrepõe às regras sociais. Nesse nível os indivíduos só seguem regras sociais se elas forem fundamentadas em princípios e valores gerais. No Estágio 5 o raciocínio moral considera o contrato social e os direitos individuais (alguns dispositivos da nossa consituição contêm direitos e garantias indivisuais. O art. 5º, X, estabelece a inviolabilidade do direito a intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, assegurando, em seguida, o direito a idenização em caso de dano material ou moral provocado pela sua violação.). Já o Estágio 6, considerado o mais evoluído por Kohlberg, é caracterizado pelos princípios éticos universais como o direito à vida, à liberdade e à justiça, independente de estarem escritos.

Lawrence Kohlberg utilizou os dilemas para auxiliar na determinação do estágio moral que cada indivíduo estava. No domingo, apresentei o Dilema de Heinz de  no Instagram Mamãe Duas Vezes, indagando o que as pessoas fariam no lugar do Heinz.

Segue o dilema:

“Numa cidade da Europa, uma mulher estava a morrer de câncer. Um medicamento descoberto por um farmacêutico dessa cidade podia salvar a sua vida. A descoberta desse medicamento tinha custado muito dinheiro ao farmacêutico, que agora pedia 10 vezes mais por uma pequena porção desse remédio. Heinz, o marido da mulher que estava a morrer, foi falar com pessoas conhecidas para que emprestarem dinheiro e, assim, comprar o medicamento. Apenas conseguiu juntar metade do dinheiro pedido pelo farmacêutico. Foi então ter com ele, contou-lhe que a sua mulher estava a morrer e pediu-lhe para vender o medicamento mais barato. Em alternativa, pediu-lhe para o deixar com o medicamento, pagando mais tarde a metade do dinheiro que ainda lhe faltava. O farmacêutico disse que não, que tinha descoberto o medicamento e que queria ganhar dinheiro com a sua descoberta. Heinz, que tinha feito tudo ao seu alcance para comprar o medicamento, ficou desesperado e estava a pensar assaltar a farmácia e roubar o medicamento para a sua mulher.”

Se você você Heinz, você roubaria o remédio para salvar a vida de sua mulher?

Você roubaria o remédio para salvar a vida de uma pessoa conhecida?

Você roubaria o remédio para salvar a vida de um desconhecido?

Respostas:

→ Nível Pré-convencional

Não deve roubar porque senão vai para a cadeia.
Deve roubar porque senão a mulher zanga-se com ele.

→ Nível Convencional

Não deve roubar porque é proibido, é contra a lei.

→ Nível Pós-convencional

Tendo roubado o medicamento o Senhor Heinz tem a atenuante que estava a defender uma vida humana.

Uma parte das pessoas respondem instintivamente que roubariam o remédio para a mulher, mas que não roubariam para uma pessoa desconhecida; isso não está relacionado à moralidade e sim ao afeto. Algumas respondem que não roubariam, porque é errado roubar. Perceba que nesse dilema existem dois direitos, o da propriedade e o da vida. O que quero dizer, é que as pessoas tendem a acreditar que o farmacêutico está certo, isso porque ele está agindo dentro da lei. E Heinz estaria errado, porque é ilegal roubar, mesmo que para isso fosse para salvar uma vida de alguém que está usando de má fé e que poderia salvar uma vida. Por exemplo, sabemos que é ilegal o estupro, mas e se houvesse uma lei que intituisse que é legal estuprar mulheres? Seria certo? O certo e errado não está atrelado ao legal e ao ilegal.

É visível como a maioria das pessoas não questionam, e fazem coisas porque existem leis para isso, e se as leis caíssem por terra? Como ficaria a sociedade atual em que vivemos? Esse é um assunto complexo, como todos da psicologia, mas Kohlberg afirma que através de reflexões e questionamento socrático é possível percorrer os níveis do desenvolvimento. Estamos ensinando nossas crianças os direitos individuais? Estamos ensinando-as a pensarem por si mesmas? Até que pontos somos responsáveis por educarmos crianças que escutam sim ou não mas não indagam a veracidade dessas palavras? Fica aqui essas perguntas sem respostas.

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